quantas vezes,
consciente ou inconscientemente,
idealizamos e ansiamos
o bem-estar, o bem viver!
O importante,
na nossa escala de valores,
no nosso projeto de vida,
no nosso programa,
no nosso compromisso,
no nosso horizonte...
é viver cada vez melhor:
ter saúde, dinheiro e amor,
trabalho e habitação,
descanso e férias,
proteção e segurança,
direitos adquiridos,
e uma economia saudável
livre de preocupações...
porque só assim obtemos
o reconhecimento dos outros,
a autoafirmação pessoal
e, em última análise, a felicidade.
Mas essa ideia de bem-estar
leva-nos, mais cedo ou mais tarde,
a um modo de vida superficial,
insensível
e cego
às dimensões mais profundas
do ser pessoa;
e, então, a nossa fé desvirtua-se.
De lá, só há espaço
Para um deus milagreiro
e uma religião centrada
no individual e privado,
onde a fé e a espiritualidade
se tornam frequentemente
em mero alívio de frustrações
e problemas pessoais.
E logo, Senhor,
Nós Te transformamos em mais um elemento
de segurança pessoal
ao serviço do nosso ideal de bem-estar.
Senhor
hoje temos de voltar a ouvir
as Tuas palavras junto ao lago de Tiberíades,
acreditar neles
e fazê-las alimento saudável
para não desfalecermos no caminho
e tenhamos a vida que nos prometeste:
«Vós procurais-Me, não porque vistes milagres, mas porque
comestes dos pães e ficastes saciados.
Trabalhai, não tanto pela comida que se perde, mas pelo
alimento que dura até à vida eterna e que o Filho do homem vos dará.»
(João 6,
26-27)
Florentino Ulibarri, em Fé Adulta
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