Uma reflexão acerca da frase de Jesus Cristo: «Este povo honra-Me com os lábios, mas o seu coração está longe de Mim»

Evangelho segundo São Marcos
(Mc 7, 1-8.14-15.21-23): «Jesus respondeu-lhes: "Bem profetizou Isaías a respeito de vós, hipócritas, como está escrito: ‘Este povo honra-Me com os lábios, mas o seu coração está longe de Mim. É vão o culto que Me prestam, e as doutrinas que ensinam não passam de preceitos humanos." Vós deixais de lado o mandamento de Deus, para vos prenderdes à tradição dos homens."»

Uma religião vazia de Deus
Este pode ser o nosso pecado hoje: apegar-nos como que por instinto a uma religião sem poder de transformar nossas vidas; continuar a honrar a Deus apenas com os lábios; resistir à conversão e viver esquecidos do projeto de Jesus: a construção de um mundo novo segundo o coração de Deus.

Nessa religião, o que importa não é Deus, mas outros tipos de interesses. Deus é honrado com os lábios, mas o coração está longe Dele; pronuncia-se um credo obrigatório, mas acredita-se no que for conveniente; cumprem-se ritos, mas não há obediência a Deus, mas sim aos homens.

Uma vez estabelecidas as nossas normas e tradições, colocamo-las no lugar que só Deus deveria ocupar; colocamo-las acima até da vontade de Deus: não devemos ignorar a menor prescrição, mesmo que vá contra o amor e prejudique as pessoas.

Pouco a pouco, esquecemos Deus e depois esquecemos que O esquecemos. Menosprezamos o Evangelho para não termos que nos converter muito. Orientamos a vontade de Deus para aquilo que nos interessa e esquecemos a sua exigência absoluta de amor.

José António Pagola, em Grupos de Jesus

Recomendo a leitura

«Jesus convida-nos a cuidar do coração, ou seja, da nossa interioridade, de onde provêm todas as impurezas.»

«Jesus lista doze más intenções: imoralidades, roubos, assassínios, adultérios, cobiças, injustiças, fraudes, devassidão, inveja, difamação, orgulho, insensatez, um número simbólico para indicar a totalidade.» 

«Se o coração está poluído, desejos, pensamentos, palavras e ações serão contaminados.»

«Hoje, somos particularmente sensíveis à contaminação do meio ambiente e à poluição do planeta. Seria necessária uma atenção semelhante ao nosso “planeta” interior.»
Presbítero Manuel João Pereira Correia, missionário comboniano

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