No Evangelho de Marcos 7, 31-37, Jesus cura um mudo, dizendo-lhe «Abre-te». O que significa, para nós hoje, este imperativo de Jesus?
Abrir o coração, que se fechou aos outros
A solidão tornou-se uma das doenças individuais e sociais mais graves da nossa sociedade. Os homens constroem pontes e auto-estradas para se comunicarem com mais rapidez. Lançam satélites para transmitir todo tipo de ondas entre os continentes. Desenvolve-se a telefonia móvel e a comunicação pela Internet. Mas muitas pessoas estão cada vez mais sozinhas.
O contato humano arrefeceu em muitos âmbitos da nossa sociedade. As pessoas já não se sentem responsáveis pelos outros. Cada um vive encerrado no seu mundo. Não é fácil o dom da verdadeira amizade.
Há quem tenha perdido a capacidade de chegar a um encontro caloroso, cordial e sincero. Não são já capazes de acolher e amar sinceridade ninguém, e não se sentem compreendidos nem amados por ninguém. Relacionam-se todos os dias com muitas pessoas, mas na realidade não se encontram com ninguém. Vivem com o coração bloqueado. Fechado a Deus e fechado para os outros.
Jesus não abre por nós, Ele dá-nos a chave
Segundo o relato evangélico, para libertar o surdo da sua doença, Jesus pede a sua colaboração: «Abre-te». Não é este o convite que devemos escutar também hoje para resgatar o nosso coração do isolamento?
As causas desta falta de comunicação são muito diversas, mas com frequência têm as sua raíz no nosso pecado. Quando agimos de forma egoísta afastamo-nos dos outros, separamo-nos da vida e encerramos em nós mesmos. Querendo defender a nossa própria liberdade e independência, corremos o risco de viver cada vez mais sozinhos.
É bom aprender novas técnicas de comunicação, mas devemos aprender, antes de mais nada, a abrir-nos à amizade e ao amor verdadeiro. O egoísmo, a desconfiança e a falta de solidariedade são também hoje o que mais nos separa e isola uns dos outros.
Por isso, a conversão ao amor é um caminho indispensável para escapar à solidão. O que se abre ao amor ao Pai e aos irmãos não está sozinho. Vive de forma solidaria.
José Antonio Pagola, Grupos de Jesus
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