com cheiro a miséria e ar de desgraçadinha
Gosto mesmo é de rica gente,
puro ouro,
cheia de tudo o que é bom
Não gosto de gentinha pobre,
que acha que nada tem por muito que tenha,
por muito que possa, por muito que herde, por muito que ganhe
Gosto mesmo é de rica gente,
gente que se acha tão rica que,
mesmo sem nada,
dá tudo,
sem nunca perder nada
Não gosto de gentinha pobre
que dá pouco e exige tudo,
para quem todos têm um preço,
para quem todos se podem comprar
Gosto mesmo é de rica gente
que sabe que a liberdade vale ouro
e que elas são os diamantes
que herdamos para toda a vida
Não gosto de gentinha pobre
que se sente rica com egos lambidos,
com marcas exteriores da pobreza interior,
com a carteira cheia de gente que lhes sai baratinha
Gosto mesmo é de rica gente,
com montes de casas no coração,
onde arranjam sempre lugar para ajudar e amar mais um
Não gosto de gentinha pobre,
que veste emoções rotas e razões frias
Gosto mesmo é de rica gente,
gente muito rica que,
pelas vidas por onde passa,
deixa a marca
da marca mais cara
que é a marca que dinheiro algum pode comprar
Mas gosto de conhecer
gentinha pobre e rica gente,
para poder ir avaliando
o meu próprio grau
de pobreza e de riqueza.
Dedico este meu texto a todas as ricas pessoas e a toda a gentinha pobre que conheço e conheci.
E dedico-o também a mim, para que nunca me esqueça do que é a verdadeira pobreza.
Paula Calheiros Pato, comunicóloga
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