Este desafio é: deitar para o lixo aquilo que nas pessoas nos pesa, nos faz mal, nos põe mal-dispostos, às avessas, uns contra os outros...
Mas este desafio levou-me a pensar noutro desafio do mesmo
género, também fundamental para destralhar e arranjar espaço limpo e saudável
nas nossas vidas. Este desafio é: livrar-se daquilo que nas pessoas nos pesa, nos faz mal, nos põe mal-dispostos, às avessas, uns contra os outros...
As pessoas ocupam muito espaço nas nossas vidas, no nosso
coração, no nosso tempo, nas nossas emoções, nos nossos pensamentos, nas nossas
ações. Por isso, é bom que acrescentem algo de verdadeiramente precioso aos
ditos itens.
Como diz a Marie Kondo – que delineou um método para descartar
itens – «os seres humanos só conseguem realmente apreciar um número
limitado de coisas ao mesmo tempo. Nada como escolher aquilo com que ficar e o
que descartar, e cuidar das coisas com que ficar, dedicando o nosso tempo e
paixão àquilo que nos traz mais alegria».
Agora substituam o “coisas” por “pessoas” e acrescentem
“mais alegria e mais razão de viver” e perceberão certamente a pertinência do
meu desafio.
Atenção que não me refiro, por exemplo, a substituir uma
pessoa por outra. Diz-se que nada é insubstituível. Relativamente às “coisas”,
não tenho dúvidas. Mas relativamente às "pessoas" não me parece ser
bem assim...
As pessoas podem ser dispensadas. Esta atitude é o nível mais básico das relações humanas. Diz-se, por exemplo, que não queremos ter a companhia de pessoas tóxicas. Todavia, e porque nenhuma pessoa pode ser
substituída - ninguém substitui ninguém, porque esse alguém é sempre único de
uma forma única -, a expressão de maturidade é saber distinguir a pessoa dos seus defeitos. No Cristianismo usa-se a expressão: «Amar o pecador, mas odiar o pecado.»
Portanto, muito cuidadinho na seleção, não se dê o caso de, ao descartar pessoas, confundirmos um diamante com um pedaço grosseiro de vidro e vai de jogar fora a
preciosidade...
Há sim que rejeitar e mandar para o lixo aquilo que faz certas pessoas considerar-nos menos do que somos e valemos. E, está certo!, se essas pessoas persistem em considerar-nos de pouca monta, dediquemos o nosso espaço precioso que elas ocupam a outras, àquelas pessoas que são os diamantes insubstituíveis da nossa vida.
Estas últimas, queremo-las connosco, Agora e na Eternidade.
Quanto às outras, não desistamos delas. Terão de fazer o seu caminho de amadurecimento individual, social, emocional, racional e espiritual e, se pudermos ajudar nesse itinerário, devemos fazê-lo. Aliás, temos o Manual com as instruções dadas por Deus nosso criador: a Bíblia (bastaria ler Evangelho de São Mateus 5, 38-48, ou o seu paralelo em Evangelho de Lucas 6, 27-49); e temos guias de apoio: a vida dos santos; o ensinamento da Igreja; os contributos das ciências; o que de maravilhosamente puro acontece na Natureza...
Os critérios de quem colocar no “A CONSERVAR ATÉ
VER” e no “AGORA E PARA TODA A ETERNIDADE” é um trabalho que só a cada um de
nós diz respeito e faz consciência - sabendo que fazer exame de consciência é medir as nossas emoções e os nossas atitudes pelos parâmetros mais elevados. Somente uma pessoa medíocre crê que está sempre bem, sozinha, por sua conta e risco.
Mau e doloroso é percebermos, um dia, que fomos nós o lixo, o descartado, por imerecidos, de alguém valioso.
Paula Pato e Fernando Félix
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