Um dia, uma agência espacial programou uma missão fora dos limites do nosso sistema solar. Era uma empreitada arriscada e
demorada. Por isso, confiaram-na ao comandante mais experiente. Ele despediu-se
da mulher e dos filhos, e a família passou horas em frente da televisão a ver o
nave afastar-se da Terra.
O tempo foi passando e os filhos perguntavam continuamente à
mãe:
– Quando é que o pai vai voltar?
E a mãe respondia:
– Voltará em breve, não se preocupem.
Ao cabo de alguns meses, cansada de ouvir sempre a mesma
pergunta, a mãe decidiu organizar uma festa para comemorar o retorno do pai.
Foi a maior festa de que as crianças tinham memória. Tanto que passaram a repeti-la
com frequência. Chamaram-lhe «a festa do regresso do pai».
Mas a insistência dos filhos criava um sentimento de
angústia na mãe. «Quando voltaria o marido? No mês que vem? Daqui a um ano?»
A «festa do pai», que
podia ser celebrada em qualquer dia do mês e em qualquer mês do ano, tornou-se
uma tortura para a mãe. Até que teve uma ideia:
– Em vez de comemorarmos o dia incerto da vinda do pai, vamos passar a celebrar a sua vida, comemorando o seu aniversário.
Não andemos mais inquietos. E, quando o papá voltar, faremos uma grande, uma
enorme festa.
A festa do Natal de Jesus na Igreja
À Igreja ocorreu-lhe algo parecido. Nos primeiros anos após
a ressurreição de Jesus Cristo e da Sua ascensão ao Céu, os discípulos falavam
continuamente do Seu regresso em breve (ver, por exemplo, 1 Tessalonicenses 4, 13-18; Mateus24; Marcos 13, Lucas 21).
O tempo foi passando e esse dia não se cumpria. Então, a
Igreja, que já celebrava a memória de Jesus com a Eucaristia, começou a celebrar a primeira vinda do Senhor, isto é, o Seu nascimento: o Natal.
E também passou a celebrar a Sua vinda quotidiana por meio dos sacramentos e das obras de acordo com o Evangelho.
Porque a Igreja nunca esqueceu a estreita relação entre
a primeira e a última vinda de Jesus, e a que acontece no quotidiano.
José Luis Sicre, em Fé Adulta
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