O que nos ensina a visita de Maria, grávida de Jesus, à sua prima Isabel? Trata-se de um dos traços mais característicos do amor cristão
Um dos traços mais característicos do amor cristão é saber ir ter com quem precisa da nossa presença. Este é o primeiro gesto de Maria
depois de aceitar com fé a missão de ser mãe do Salvador: pôr-se a caminho e ir
ter com outra mulher que necessita nesses momentos da sua ajuda.
Existe uma forma de amar que devemos recuperar nos nossos dias e que consiste em «acompanhar para viver» quem se encontra mergulhado na solidão, bloqueado pela depressão, preso pela doença ou, simplesmente, vazio de alegria e de esperança.
Existe uma forma de amar que devemos recuperar nos nossos dias e que consiste em «acompanhar para viver» quem se encontra mergulhado na solidão, bloqueado pela depressão, preso pela doença ou, simplesmente, vazio de alegria e de esperança.
Estamos a consolidar, entre nós, uma sociedade feita apenas
para os fortes, os agraciados, os jovens, os saudáveis e os que são capazes de
aproveitar e desfrutar da vida.
Estamos a promover assim aquilo a que se tem chamado
«segregação social» (Jürgen Moltmann). Juntamos as crianças em creches,
colocamos os doentes em clínicas e hospitais, guardamos os nossos idosos em
lares e residências, prendemos os criminosos nas prisões e colocamos os
toxicodependentes sob vigilância… Assim, está tudo em ordem. Cada um recebe ali
a atenção de que necessita, e o resto de nós pode dedicar-se com mais
tranquilidade a trabalhar e a aproveitar a vida sem ser incomodado. Procuramos
rodear-nos de pessoas sem problemas que ponham em perigo o nosso bem-estar e
conseguimos viver «bastante satisfeitos».
Só que assim não é possível experimentar a alegria de
contagiar e dar vida. Explica-se que muitos, mesmo tendo atingido um nível
elevado de bem-estar, têm a impressão de que a vida se lhes escapa
enfadonhamente por entre os dedos.
Quem acredita na encarnação de Deus, que quis partilhar a
nossa vida e acompanhar-nos na nossa indigência, sente-se chamado a viver de
forma diferente.
Não se trata de fazer «grandes coisas». Talvez,
simplesmente, oferecer a nossa amizade a esse vizinho mergulhado na solidão,
estar perto daquele jovem que sofre de depressão, ter paciência com aquele
velho que procura ser ouvido por alguém, estar ao lado daqueles pais que têm o
seu filho preso, alegrar o rosto dessa criança triste marcada pela separação
dos pais…
Este amor que nos leva a partilhar as cargas e o peso que
tem de suportar o irmão é um amor «salvador», porque liberta da solidão e
introduz uma esperança nova em quem sofre, pois sente-se acompanhado na sua
aflição.
José Antonio Pagola, em Grupos de Jesus
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