Reflexão sobre a resposta, no capítulo 3 do Evangelho de São Lucas, à pergunta «o que devemos fazer para preparar o caminho do Senhor?»
Apesar de toda a informação que oferecem os meios de comunicação, é difícil tomarmos consciência de que mais de um terço da humanidade vive na miséria.
No entanto, basta voar apenas umas horas em qualquer direção para encontrar fome e destruição.
Esta situação só tem um nome: injustiça. E só admite uma explicação: a inconsciência.
Como nos podemos sentir humanos quando a poucos quilómetros de nós há seres humanos que não têm casa nem terra para viver; homens e mulheres que passam o dia procurando algo para comer; crianças que já não conseguirão superar a subnutrição?
A nossa primeira reação é quase sempre a mesma: «Mas nós, o que podemos fazer perante tanta miséria?»
E vêm as justificações de sempre: não é fácil estabelecer uma ordem internacional mais justa; há que respeitar a autonomia de cada país; é difícil assegurar canais eficazes para distribuir alimentos; mais ainda para mobilizar um país para saia da miséria.
Mas tudo isto vem abaixo quando escutamos uma resposta directa, clara e prática, como a que recebem de João Baptista aqueles que lhe perguntam «o que devemos fazer?» (Lucas 3, 10-18) para preparar o caminho do Senhor.
O profeta responde-lhes com genial simplicidade: «Aquele que tenha duas túnicas, que dê uma a quem não tem nenhuma; e aquele que tiver de comer que faça o mesmo».
Aqui terminam todas as nossas teorias e justificações. O que podemos fazer? Simplesmente não acumularmos mais do que necessitamos enquanto houver pessoas que precisam disso para viver.
Não continuar a desenvolver sem limites o nosso bem-estar, esquecendo aqueles que morrem de fome.
O verdadeiro progresso não consiste em uma minoria alcançe um bem-estar material cada vez maior, mas em toda a humanidade viva com mais dignidade e menos sofrimento.
Poderemos nós, cristãos do Ocidente, acolher cantando o menino de Belém, enquanto fechamos os nossos corações aos meninos dos países mais pobres?
José António Pagola, em Grupos de Jesus
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