Apelo do Papa Francisco para o ecumenismo no Jubileu: a comemoração dos 1700 anos do Concílio de Niceia propicia a profissão de fé comum

Excertos da reflexão do Papa Francisco nas vésperas da Solenidade da Conversão de São Paulo Apóstolo, em que faz um apelo para que a comemoração dos 1700 anos do Concílio de Niceia seja uma ocasião para os cristãos perseverarem na unidade.

«Este Ano jubilar da esperança, celebrado pela Igreja católica, coincide com uma efeméride de enorme significado para todos os cristãos: o aniversário dos 1700 anos do primeiro grande Concílio ecuménico, o Concílio de Niceia. Este Concílio esforçou-se por preservar a unidade da Igreja num momento muito difícil, e os Padres conciliares aprovaram por unanimidade o Credo que muitos cristãos ainda hoje recitam todos os domingos durante a Eucaristia. 

Este Credo é uma profissão de fé comum que vai para além de todas as divisões que feriram o Corpo de Cristo ao longo dos séculos. 

Portanto, o aniversário do Concílio de Niceia representa um ano de graça e uma oportunidade para todos os cristãos que recitam o mesmo Credo e acreditam no mesmo Deus: recuperemos as raízes comuns da fé, preservemos a unidade! Sempre em frente! Aquela unidade que todos nós queremos alcançar, que desejamos que aconteça.

Não vos lembrais do que um grande teólogo ortodoxo, Ioannis Zizioulas, costumava dizer: “Sei quando será a data da plena unidade: no dia a seguir ao Juízo Final?” Mas, por agora, temos de caminhar juntos, trabalhar juntos, rezar juntos, amar-se juntos. E isso é muito bonito!

Queridos irmãos e irmãs, esta fé que partilhamos é um dom precioso, mas é também um desafio. Com efeito, o aniversário não deve ser celebrado apenas como “memória histórica”, mas também como compromisso de testemunhar a crescente comunhão entre nós. Devemos encontrar o modo para não a deixar fugir, para construir laços sólidos, para cultivar a amizade recíproca, para ser tecelões de comunhão e fraternidade.

Nesta Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos, também podemos viver o aniversário do Concílio de Niceia como um convite a perseverar no caminho rumo à unidade. De modo providencial, este ano, precisamente durante o aniversário ecuménico, a Páscoa será celebrada no mesmo dia tanto no calendário gregoriano como no juliano. Renovo o meu apelo para que esta coincidência sirva de estímulo a todos os cristãos para darem resolutamente um passo rumo à unidade, em torno duma data comum, uma data para a Páscoa (cf. Bula Spes non confundit, 17); e a Igreja Católica está disposta a aceitar a data que todos quiserem estipular: uma data da unidade.

[…]
Queridas irmãs, queridos irmãos, este é o momento de confirmar a nossa profissão de fé no único Deus e encontrar em Cristo Jesus o caminho da unidade. Enquanto esperamos que o Senhor venha «em sua glória, para julgar os vivos e os mortos» (cf. Credo Niceno), nunca nos cansemos, diante dos povos, de dar testemunho do Filho unigénito de Deus, fonte de toda a nossa esperança.»

Credo Niceno-Constantinopolitano
Creio em um só Deus,
Pai todo-poderoso,
Criador do céu e da terra
De todas as coisas visíveis e invisíveis.

Creio em um só Senhor, Jesus Cristo,
Filho Unigênito de Deus,
nascido do Pai antes de todos os séculos:
Deus de Deus, Luz da Luz,
Deus verdadeiro de Deus verdadeiro.
Gerado, não criado, consubstancial ao Pai.
Por Ele todas as coisas foram feitas,
E por nós, homens, e para nossa salvação desceu dos céus
E encarnou pelo Espírito Santo,
no seio da Virgem Maria,
e Se fez homem.

Também por nós foi crucificado sob Pôncio Pilatos,
padeceu e foi sepultado.
Ressuscitou ao terceiro dia,
conforme as Escrituras,
e subiu aos céus,
onde está sentado à direita do Pai.
De novo há-de vir em sua glória,
para julgar os vivos e os mortos,
e o seu reino não terá fim.

Creio no Espírito Santo,
Senhor que dá a vida,
e procede do Pai e do Filho,
e com o Pai e o Filho
é adorado e glorificado:
Ele que falou pelos Profetas.

Creio na Igreja una, santa,
católica e apostólica.
Professo um só batismo
Para remissão dos pecados.
E espero a ressurreição dos mortos,
e vida do mundo que há-de vir.

Ámen.

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