Este é o âmago mais íntimo do Evangelho, o sonho de Jesus: o Reino de Deus é uma humanidade de irmãos amando-se mutuamente

Evangelho de Jesus Cristo segundo São Lucas
Jesus disse aos seus discípulos: «Como quereis que os outros vos façam, fazei-lho vós também.
Se amais aqueles que vos amam, que agradecimento mereceis? Também os pecadores amam aqueles que os amam.
Se fazeis bem aos que vos fazem bem, que agradecimento mereceis? Também os pecadores fazem o mesmo.
E se emprestais àqueles de quem esperais receber, que agradecimento mereceis? Também os pecadores emprestam aos pecadores, a fim de receberem outro tanto.
Vós, porém, amai os vossos inimigos, fazei o bem e emprestai, sem nada esperar em troca.
Então será grande a vossa recompensa e sereis filhos do Altíssimo, que é bom até para os ingratos e os maus.
Sede misericordiosos, como o vosso Pai é misericordioso.
Não julgueis e não sereis julgados. Não condeneis e não sereis condenados. Perdoai e sereis perdoados. Dai e dar-se-vos-á: deitar-vos-ão no regaço uma boa medida, calcada, sacudida, a transbordar. A medida que usardes com os outros será usada também convosco.»
 
Reino de Deus é humanidade em coexistência
Estamos no âmago mais íntimo do Evangelho; naquilo que mais genuinamente expressa o sonho de Jesus: o Reino de Deus - uma humanidade que somente amando-se mutuamente como irmãos percorrerá o seu caminho.
 
Jesus constrói o Reino de dentro, de baixo, do serviço, não de fora, do poder. Jesus concentra-se nas pessoas, para que elas construam uma sociedade humana muito mais justa e fraterna.
 
O objetivo final de qualquer sociedade é a coexistência, mas esta não pode ser imposta através das leis, mas pode ser semeada. Como Ruiz de Galarreta disse: «A lei deixa a pessoa entregue a si mesma, estabelece preceitos que ela deve cumprir, ameaça-a, castiga-a, mas não muda o seu coração. O Evangelho coloca-a perante o dom de Deus, fá-la conhecer o seu Pai, torna-a Filha, muda-a por dentro... e já não tem de lhe ordenar nada.»
 
Quando a coexistência é semeada, leva um tempo para dar frutos, mas quando isso acontece, dá cem por cento. A razão é que as atitudes evangélicas –, embora pareçam de outra forma – são contagiosas, e toda a ação de generosidade, perdão, fraternidade, é uma sementeira que acaba por dar frutos. E é por isso que somos convidados a agir como sementes; estar no mundo como Jesus era, porque a sua semente é poderosa e capaz de mudar tudo definitivamente para melhor.

Miguel Ángel Munárriz Casajús, em Religión Digital
 
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