Jesus, no Evangelho, denuncia claramente as doutrinas incoerentes que enganam, manipulam e pervertem

Poderíamos chamar ao trecho do Evangelho de Lucas – ler Lc 6, 39-45 – o da coerência, o fio condutor da humanidade que Jesus nos veio pregar. Este Evangelho denuncia claramente muitas das “doutrinas incoerentes” que o nosso catolicismo mantém.
 
A frase «pelos frutos os conhecereis» é tão evidente e coerente que não entendo como os profissionais da religião podem cair no engano e esquecê-la. Se fosse diferente, só com isso, o mundo já seria outro.
 
Pensemos na sua aplicação à política e aos muitos vigaristas que enganam, manipulam e pervertem, sobrecarregando as suas nações com dor, miséria e violência. Por vezes os frutos tardam a chegar, mas chegam com todo o seu veneno e morte...
 
Religiosos, ignorantes e talvez com boa vontade, caem no “erro político” e tornam-se “guias cegos”. A política e a economia tornaram-se um terreno propício para o engano. Bastaria que os eleitores tivessem presente este Evangelho, que alguém traduziu mais tarde: «O povo que esquece a sua história (os frutos amargos do passado) está condenado a repeti-la.»
 
Na religião também se cultivam muitas árvores más, com a agravante de impor aos crentes a obrigação de aceitar a árvore e os seus frutos. Basta recordar os frutos das “doutrinas incoerentes” e a difusão de imagens de Deus que provocam a fuga e a rejeição, em vez do “religare” (reencontro do ser humano com o seu Criador).
 
Penso nas mentiras, que muitos fiéis engolem por rotina e ingenuidade.
- Do amor ao “Coração de Jesus”, por exemplo, incoerente com o “deus sádico” da doutrina redentora.

- Da “Igreja pobre e servidora”, cheia de riquezas, ostentação e imposições pelos quatro costados.

- Do “celibato obrigatório” que se confronta com a realidade do Povo e da biologia humana, expulsando muitos bons profetas, ou tentando a pressão humana que por vezes explode em escândalo.

- Da chamada “morte natural” para não acudir aos moribundos, por vezes arrastados durante muito tempo pela dor, angústia e impotência para se libertarem da culpa que lhes é imposta por “guias cegos”.

- Das “múltiplas idolatrias” para manipular e dominar um Ser eterno, omnisciente e omnipotente, justificadas pelo inocente título de “piedade popular”...
 
Mas quem é que ensina e guia o povo?
 
Cobardes! «Seria melhor para eles que lhes atassem ao pescoço uma mó de moinho e os lançassem ao mar» (Lc 17, 2).

Tudo isto e muito mais são os frutos de uma árvore, que se diz plantada no Evangelho, mas que só dá “frutos venenosos e impiedosos”, indignos do humanismo semeado por Jesus de Nazaré.
 
E fico-me por aqui, porque haveria muito para dizer... Por favor, fomos criados “inteligentes, com vontade e liberdade”, não o neguemos com incoerências que são a negação da nossa essência humana.
 
Uma religião que dá maus frutos será arrasada e abandonada: «Não ficará pedra sobre pedra» (Lc 21, 6) mesmo que seja construída com ouro e pedras preciosas. «Tende cuidado em não vos deixardes enganar, pois muitos virão em meu nome, dizendo: 'Sou eu'; e ainda: 'O tempo está próximo.' Não os sigais» (Lc 21, 8).
 
A criação é gerida pelos humanos. Ou usamos a coerência, raiz básica da Inteligência, ou afundar-nos-emos na miséria material e humana dos traficantes da mentira, fruto amargo dos manipuladores da humanidade, mesmo daqueles que o fazem com “boa vontade”, mas sem descer ao fundo da verdade baseada na realidade: os frutos são as consequências, como tantas vezes repito... da “lei da caus
alidade”: a tal causa, tal efeito, a tal árvore, tal fruto.

Jairo del Agua, em Religión Digital

Comentários