Uma história real sobre o mau hábito de «na pressa de interpretar, julgar sem querer»

«Hoje de manhã» - escreveu Inês Lima, assistente Social na sua página do Linkedin -, «no meio da rotina dos atendimentos, um utente entrou e sentou-se à minha frente. Entre palavras trocadas e olhares cansados, abriu a mochila e tirou um saco interior de uma box de vinho.
 
Num reflexo automático, sem sequer pensar, saiu-me:
— Então, não sabe que não pode ter aqui vinho?
 
Ele olhou para mim e sorriu com a calma de quem já explicou isto demasiadas vezes:
— Oh doutora, isto não é o que parece. Isto é a minha almofada. Assim, pelo menos, tenho algum conforto para dormir… e no fim é só esvaziar e guardar. Não ocupa lugar.
 
Fiquei sem palavras.
 
Na pressa de interpretar, julguei sem querer. Porque é fácil esquecer que o que para uns é lixo, para outros é conforto. Que há vidas onde até uma almofada é um luxo. Que há rotinas onde até dormir exige estratégia.
 
No fim, 
ele arrumou a almofada,
eu arrumei os meus pensamentos.»
Texto e foto: Inês Lima

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