O relato da Transfiguração de Jesus – Lucas 9, 28-36 – convida-nos a elevar o olhar e a
contemplar a verdadeira identidade do Filho de Deus num mundo marcado pelo ruído, pela
pressa e pelo excesso de informação.
Em março de 2025, quando vivemos crises
climáticas, tensões sociais e uma transformação tecnológica acelerada que nos
sobrecarrega com dados e opiniões, a cena da montanha torna-se um poderoso
convite para parar e reencontrar a voz de Deus.
Jesus sobe para rezar e, no cimo, revela a sua glória a
Pedro, João e Tiago. Não se trata apenas de uma experiência mística isolada,
mas de um sinal de quem realmente é Jesus: o Filho amado, o Eleito. No meio das
sombras e das incertezas do nosso tempo, esta luz recorda-nos que há uma
verdade que permanece, uma voz que continua a ressoar no meio do caos: «Este é
o meu Filho, o meu eleito; escutai-O.»
A presença de Moisés e Elias une o passado, o presente e o
futuro da História da Salvação. Numa época em que muitos se sentem desligados
das suas raízes espirituais e culturais, este pormenor recorda-nos que a nossa
fé não é algo de improvisado ou fugaz, mas faz parte de uma História maior que
nos precede e transcende. Somos herdeiros de uma promessa de fidelidade e de
esperança que se mantém atual.
No entanto, o coração do relato não está apenas na visão
gloriosa, mas na voz do Pai que nos chama a ouvir Jesus. Num mundo
hiperconectado, onde todos os dias somos bombardeados por milhares de
mensagens, opiniões e ideologias, o verdadeiro desafio é discernir quais as
vozes que nos aproximam da verdade e quais as que nos afastam dela. No meio das
redes sociais, das notícias e dos debates globais, precisamos de apurar o nosso
ouvido interior para reconhecer a voz de Jesus: aquela voz que não grita, mas
ilumina e transforma.
Pedro, com o seu impulso muito humano, quis ficar ali,
construir três tendas e prolongar o momento. Mas a Transfiguração não é um
refúgio para fugir do mundo, mas uma antecipação para iluminar o caminho da
cruz e da missão. Também nós, neste 2025, somos chamados a descer da montanha.
Não para perder a luz, mas para a levar às nossas famílias, comunidades e
ambientes quotidianos. A claridade da Transfiguração só tem sentido se nos
impulsionar a transformar a realidade.
Que esta experiência da Transfiguração nos ajude a encontrar
tempos de silêncio e de oração, para nos deixarmos transfigurar pela luz de
Cristo. Que nos ensine a escutar a sua voz no meio do ruído e a reconhecê-lo
nos rostos concretos de quem precisa de consolação, de justiça e de esperança.
Traduzido de Religión Digital
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