As tentações de Jesus e as da Igreja: «Cristãos não conscientes das suas tentações falsificarão a sua identidade e missão»
Luta interior e provações – sofreu-as Jesus e sofreram-nas também os seus discípulos. Todos tinham de procurar a vontade do Pai, superando provações e tentações de vários tipos. Poucas horas antes de ser preso pelas forças de segurança do templo, Jesus diz aos discípulos: «Vós sois os que perseverastes comigo nas minhas provações» (Lucas 22, 28).
O episódio conhecido como «tentações de Jesus» (ler Mt 4, 1-11 e Lc 4, 1-13) é um relato em que se reagrupam e resumem as tentações que teve de ultrapassar Jesus ao longo da sua vida. Embora viva movido pelo Espírito recebido no Jordão, nada O dispensa de ser atraído por falsas formas de messianismo:
- Deverá Ele pensar no seu próprio interesse ou ouvir a vontade do Pai?
- Deverá impor o seu poder como Messias ou colocar-Se ao serviço daqueles que Dele necessitam?
- Deverá Ele procurar a sua própria glória ou manifestar a compaixão de Deus para com aqueles que sofrem?
- Deveria evitar riscos e evitar a crucificação ou dedicar-Se à sua missão confiando no Pai?
O relato das tentações de Jesus foi recolhido nos Evangelhos para alertar os seus seguidores. Devemos estar lúcidos. O Espírito de Jesus está vivo na sua Igreja, mas os cristãos não estão livres de falsear uma e outra vez a nossa identidade, caindo em múltiplas tentações.
Para seguirmos Jesus fielmente devemos identificar as tentações que enfrentam hoje os cristãos: os líderes religiosos e fiéis. Uma Igreja que não é consciente das suas tentações rapidamente falsificará a sua identidade e a sua missão. Algo assim não está a acontecer connosco? Não precisamos de mais lucidez e vigilância para não cairmos na infidelidade?
José Antonio Pagola, em Grupos de Jesús
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