Parábola da figueira estéril: Deus não nos condena pelos nossos erros, mas chama-nos a mudar sem demora

A parábola da figueira estéril
: Evangelho de Lucas (Lc 13, 1-9): «Jesus disse então a seguinte parábola: “Certo homem tinha uma figueira plantada na sua vinha. Foi procurar os frutos que nela houvesse, mas não os encontrou. Disse então ao vinhateiro: ‘Há três anos que venho procurar frutos nesta figueira e não os encontro. Deves cortá-la. Porque há de estar ela a ocupar inutilmente a terra?’ Mas o vinhateiro respondeu-lhe: ‘Senhor, deixa-a ficar ainda este ano, que eu, entretanto, vou cavar-lhe em volta e deitar-lhe adubo. Talvez venha a dar frutos. Se não der, mandá-la-ás cortar no próximo ano.”.»

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A parábola da figueira estéril é uma imagem poderosa da paciência divina. Vivemos numa cultura do imediato, onde o que não funciona é rapidamente descartado: relações, projetos e, até, pessoas.

Deus não age assim connosco. Ele dá-nos oportunidades, cuida de nós, fertiliza-nos com a sua graça e espera pacientemente que demos fruto. Mas esta paciência não é infinita: é um convite a mudar agora, a viver com sentido, a não adiar a conversão.
 
Na nossa sociedade, temos tendência para procurar respostas rápidas para o sofrimento: queremos encontrar uma razão para o mal e, por vezes, culpamos as vítimas ou acreditamos que tudo é fruto do destino.
 
Jesus rompe com esta lógica simplista e convida-nos a olhar para a nossa própria vida em vez de julgar os outros. Lembra-nos que o importante não é procurar culpados, mas examinarmo-nos a nós próprios e mudar o que nos afasta de Deus e do amor ao próximo.
 
Hoje podemos perguntar-nos:
- Estou a viver de forma estéril, sem dar frutos de amor, de justiça e de compaixão?

- Estou a deixar passar o tempo sem responder ao chamamento de Deus?

- Tenho paciência com os outros, como Deus tem comigo, ou exijo resultados imediatos?

Jesus mostra-nos que Deus não nos condena pelos nossos erros, mas chama-nos a mudar sem demora. A misericórdia não é uma desculpa para a passividade, mas um impulso para a transformação. Não esperemos até que seja demasiado tarde para começar a dar frutos.
 
A parábola foi contada para provocar a nossa reação. Para quê uma figueira sem figos? Para quê uma vida estéril e sem criatividade? Para quê um cristianismo sem o seguimento prático a Jesus? Para quê uma Igreja sem dedicação ao reino de Deus?

Para quê uma religião que não nos muda o coração? Para quê um culto sem conversão e uma prática que nos acalma e confirma o nosso bem-estar? Para quê preocuparmo-nos tanto em «ocupar» um lugar importante na sociedade se não introduzimos força transformadora com as nossas vidas? Para quê falar das «raízes cristãs» da Europa se não é possível ver os «frutos cristãos» dos seguidores de Jesus?

Comentários a partir de José António Pagola e Desde la fé

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