Diz o Catecismo da Igreja católica, no número 540: «Todos os
anos, pelos quarenta dias da Grande Quaresma, a Igreja une-se ao
mistério de Jesus no deserto.» Portanto, faz sentido que também possamos sentir
mais tentações neste período.
Todavia, e tal como aconteceu com Jesus, Deus está connosco
também no deserto e vai defender-nos dos ataques de quem nos tenta, e
apoiar-nos na nossa conversão, transformação e santidade.
Cinco prováveis tentações durante a Quaresma
1 – A tentação da distração
A Quaresma pode ser um tempo de grandes propósitos espirituais
e humanos. Mas, numa vida tão agitada, com tão pouco silêncio, podemos facilmente
distrair-nos.
Pedir, então, a Deus para nos ajudar a concentrar
a nossa atenção num propósito fundamental e, depois, apesar das nossas
falhas, pedir-Lhe a graça de perseverar.
2 – A tentação de julgar
«Foi o orgulho que transformou anjos em demónios, mas é a
humildade que faz das pessoas anjos» (Santo Agostinho)
Por vaidade e orgulho, tendemos a pensar que somos melhores do
que os outros.
O melhor antídoto é escolher a virtude da humildade,
exercitá-la, colocando-nos, como Jesus, ao serviço do próximo, como diz São
Paulo na Carta aos Filipenses: «Procurai ter os mesmos sentimentos, assumindo o
mesmo amor, unidos numa só alma, tendo um só sentimento; nada façais por
ambição, nem por vaidade; mas, com humildade, considerai os outros superiores a
vós próprios, não tendo cada um em mira os próprios interesses, mas todos e
cada um exatamente os interesses dos outros» (Fl 2, 2-4)
3 – A tentação da divisão
Geralmente somos bons a amar-nos a nós mesmos: somos os melhores!, dizemos, e aprovamos e louvamos o esforço que fazemos, mas somos maus a amar ao próximo e a elogiar os seus esforços (ou amamos apenas aqueles que não bons para nós ou cujos esforços nos beneficiam).
O antidoto é vigiar os nossos pensamentos, sentimentos e atitudes, para eliminar aqueles que não nos ajudam a crescer no amor altruísta.
4 – A tentação do autoaperfeiçoamento
Nas penitências da Quaresma, podemos achar que somos capazes
de crescer, por meio do nosso esforço e na nossa boa vontade, na boa relação
com Deus. Todavia, o mais certo é termos atitudes como a do apóstolo Pedro
(negar Jesus), ou de Judas (trair Jesus) ou da multidão (mandar matar Jesus).
O que nos podemos propor é persistir na exclusão um mau
hábito que nos afasta de Deus e do próximo.
5 – A tentação do desânimo
Quando nos sentimos desanimados, estamos mais suscetíveis a
ser menos cooperantes com a graça de Deus. Podemos sentir que estamos
constantemente a falhar e que não somos bons para merecer o amor de Deus. E podemos
ter a tentação de perder a coragem e desistir.
Mas sabemos que Jesus morreu por nós que somos pecadores,
e Ele ressuscitou, e envia-nos o Espírito Santo que é alento divino em nós, que
é transformador, que dá vida, ordem e harmonia ao que é caos.
Comentários
Enviar um comentário