«A maior prova de que nos relacionamos com um ídolo, e não com o verdadeiro Deus, é se a nossa religiosidade produz medo»
Jesus perdoa a mulher adúltera - Ler João 8, 1-11 - antes de ela lho pedir; não exige condições. Não é o arrependimento ou a
penitência que permite obter o perdão. É o amor incondicional que deve levar a
adúltera a mudar de vida. O “perdão” de Deus vem em primeiro lugar. A mudança
de perspetiva será a consequência da tomada de consciência de que Deus é Amor.
Ainda há “cristãos” que colocam o
cumprimento da “Lei” acima das pessoas. A base e o fundamento da mensagem de
Jesus é precisamente que a pessoa de carne e osso é o primeiro valor, não a
instituição ou a “Lei”. O Pai estará sempre de braços abertos para o irmão mais
novo e para o mais velho.
A proximidade que Jesus mostrou
em relação aos pecadores não podia ser compreendida pelos líderes religiosos do
seu tempo, porque eles tinham criado um Deus distante e julgador. Para eles, o
cumprimento da Lei era o valor supremo. Jesus diz-nos que a pessoa é o valor
supremo e não pode ser usada como meio para conseguir o que quer que seja.
O medo é a consequência da
insegurança. Quando procuramos certezas, estamos seguros do medo. O medo
paralisa a nossa vida espiritual. A descoberta do verdadeiro Deus deve ser
sempre libertadora. A maior prova de que nos relacionamos com um ídolo, e não
com o verdadeiro Deus, é se a nossa religiosidade produz medo.
A “boa notícia” é que o amor de
Deus é incondicional, não depende de nada nem de ninguém. Deus não é um ser
amoroso, mas amor. A sua essência é o amor e ele não pode deixar de amar sem se
destruir a si próprio. Quem é o bom e quem é o mau? Posso dar uma resposta a
esta pergunta? Quem pode sentir-se qualificado para acusar os outros? Só o
farisaísmo.
Jesus já está identificado com o
Pai e unifica os três. Tanto o irmão mais novo (adúltera) como o irmão mais
velho (fariseus) têm de ser ultrapassados. Mais uma vez descobrimos que o mais
novo está disposto a mudar mais facilmente do que o mais velho (ver a Parábola do Pai Misericordioso e os dois filhos, em Lucas 15.)
Frei Marcos, em Fé Adulta
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