«Quando fui nomeado bispo, puseram-me o anel no dedo, deram-me báculo de pastor, a Bíblia, e puseram a mitra na minha cabeça.
São os símbolos do bispo.
Seria bom se dessem ao bispo um jarro, uma bacia e uma toalha para lavar os pés do mundo.
O conceito de 'serviço' está distante. Não sabemos lavar os pés.
Só sabemos polir sapatos, para chegar ao poder.»
Dom Tonino Bello (18 de março de 1935 - 20 de abril de 1993);
terciário franciscano, bispo do povo;
bispo de Alessano e Molfetta, no sul da Itália;
presidente da Pax Christi;
bispo da estola e do avental;
bispo que amava ser chamado de “dom” (presbítero) e era movido por uma inquietude que o levava a não aceitar a fome, mas a semear a paz sempre e em todo lugar. «Paz» que dom Tonino definiu, explicando que «o rio da paz se alimenta de afluentes e flui em estuários que têm nomes desafiadores e profundos como desarmamento, economia da justiça, salvaguarda da criação, legalidade e democracia, direitos humanos, não-violência, participação, respeito às pessoas, bens comuns»;
bispo que viajou o mundo, proclamando a Palavra de Deus e realizando gestos de reconciliação, como entrar em Sarajevo ainda em guerra, onde profetizou o nascimento de uma ONU de povos capazes de apoiar os Estados na promoção da paz;
bispo servo, um pastor que se fez povo. Sonhava uma Igreja faminta de Jesus e intolerante a toda mundanidade, uma Igreja que «sabe decifrar o corpo de Cristo nos tabernáculos desconfortáveis da miséria, do sofrimento e da solidão». Ele dizia, «a Eucaristia não tolera o sedentarismo» e sem se levantar da mesa permanece «um sacramento incompleto» (Papa Francisco);
bispo que se alimentava da Palavra de Deus, que falava ao coração das pessoas, de maneira simples e direta.
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