«Não me ocorreu nada para o meu sacrifício quaresmal»

Uma pessoa disse-me: «Padre, não me ocorre nenhuma boa ideia para o meu sacrifício quaresmal. Pode sugerir-me alguma coisa que agradaria a Jesus Cristo?»

Os sacrifícios quaresmais são muitas vezes abordados de forma negativa: coisas de que se deve abdicar. Pessoalmente, prefiro a abordagem positiva: vencer o mal com o bem (Carta aos Romanos 12, 21), fazer o bem.

Abstinência, jejum, abnegação, renúncia são palavras que estão na moda durante a Quaresma. Renunciar às coisas agradáveis é difícil, é um sacrifício. Mas também supõe sacrifício ser generoso, sair de si mesmo e pensar no bem dos outros antes do seu próprio bem.

Quando Jesus Cristo teve a cruz diante de si, disse que dava a sua vida voluntariamente: «Ninguém ma tira, mas sou Eu que a ofereço livremente» (Evangelho de João 10, 18a). É um ato de generosidade. O sacrifício de Jesus Cristo foi o de dar amor, e dar o maior amor possível.

Se ainda não conseguiste encontrar o sacrifício quaresmal que podes oferecer a Jesus Cristo, talvez te interesse esta ideia: Ora pelos teus inimigos e pelas pessoas que te fizeram sofrer ou que são um fardo para ti. «A oração de intercessão é uma petição em favor de outrém. Não conhece fronteiras e estende-se aos inimigos», diz-nos o Catecismo da Igreja Católica.

E porque é que o proponho como sacrifício quaresmal? Porque transformar a ferida em compaixão e purificar a memória, transformando a ofensa em intercessão, é um caminho de conversão.

É também uma oração de cura, porque esta oração cura as feridas do coração, purifica o rancor, prepara o perdão, alarga o coração. 

A parte mais difícil deste sacrifício é fazer a oração com um coração que conheceu a conversão. Quando rezamos por pessoas que nos pesam ou que nos magoaram, devemos rezar com bons sentimentos. Não é: «Suplico-te, Senhor, que esta pessoa morra o mais depressa possível, porque não a suporto», mas sim pôr amor, como Jesus.

A quem lhe ocorreria rezar pelos inimigos, pelas pessoas insuportáveis, por aqueles que não nos perdoam, por aqueles que nos magoaram, por aqueles que nos ofendem e nos ferem, pelos entes queridos que nos fazem sofrer? A um bom cristão!

Presbítero Evaristo Sada

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