Eles prostraram-se diante de Jesus, e depois voltaram para
Jerusalém com grande alegria. E estavam continuamente no templo, bendizendo a
Deus.» (Lucas 24, 46-53).
A lógica diz-nos que a morte é o fim do caminho; que tudo
morre neste mundo e que o ser humano não tem porque ser a exceção à regra. O
filósofo alemão Martin Heidegger (1889-1976), por exemplo, afirma que «viemos do “nada de antes” e vamos
para o “nada de depois”, e devemos ser capazes de aceitar essa realidade e
assumir a angústia de caminhar para o nada». E esta é uma forma muito «lógica»
de ver as coisas, mas o evangelho oferece-nos uma alternativa mais esperançosa
no texto que lemos hoje... Mas é preciso lê-lo bem.
Isto significa que não devemos vê-lo como uma narração de
factos ocorridos, mas como uma bela profissão de fé: «Jesus, após a sua morte,
é exaltado ao lugar que lhe corresponde; à direita do Pai». Mas não é apenas
uma profissão de fé em Jesus, mas também em nós, seres humanos, pois com os
olhos da fé podemos ver que o nosso destino não é a morte, mas a libertação
definitiva do poder do mal que aqui nos subjuga; que o nosso destino é Deus;
que a nossa grandeza é tal que estamos destinados a alcançar a divindade.
E isto vemo-lo em Jesus. Por isso, Jesus é fundamentalmente
para nós aquele que dá sentido tanto à nossa vida como à nossa morte.
À nossa
vida, porque não só nos convida a trabalhar por um mundo melhor – o Reino –,
mas também nos dá uma excelente razão para isso: que a humanidade é o projeto
de Deus, o sonho de Deus, e que somos convidados a participar neste projeto
como protagonistas.
Ele também dá sentido à nossa morte, porque nos diz que não somos animais condenados a morrer e desaparecer, mas que somos filhos amados que, após a tarefa, regressamos à casa do Pai. A Boa Nova que o evangelho nos oferece é tão boa que duvidamos que possa ser verdadeira... Mas é o que nele se proclama.
Ele também dá sentido à nossa morte, porque nos diz que não somos animais condenados a morrer e desaparecer, mas que somos filhos amados que, após a tarefa, regressamos à casa do Pai. A Boa Nova que o evangelho nos oferece é tão boa que duvidamos que possa ser verdadeira... Mas é o que nele se proclama.
O sentido da vida
Há pessoas que procuram o sentido da vida em Deus e falham,
e há outras que o procuram fora de Deus e também falham. E este facto leva-nos
a formular uma consideração final. Se concordarmos que a essência do ser humano
é a «humanidade», ou seja, a capacidade de amar, de sentir carinho pelas
pessoas, de ter compaixão por aqueles que passam por dificuldades, de
solidariedade com eles e de não permanecer indiferentes e inativos diante do
infortúnio alheio, a única forma de dar sentido à vida será através da sua
prática.
Isso pode ser independente das crenças ou descrenças de cada um,
pois qualquer atitude vital que gere humanidade é portadora de sentido, e
qualquer outra que não o faça provocará um vazio impossível de preencher com
atividades mundanas ou práticas religiosas.
Então, qual é a diferença? A diferença está no facto de que
a capacidade que a religião tem demonstrado de motivar comportamentos
humanitários é muito superior a qualquer outra. E a prática do cristianismo
baseia-se no amor fraterno.
Miguel Ángel Munárriz Casajús, em Fé Adulta
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