As mulheres na Igreja pedem a Leão XIV que avance para a plena igualdade

“Com o lema 'Crentes e feministas: razões de esperança', duzentas mulheres cristãs de 29 dioceses de Espanha - das 33 em que o  movimento 
REVUELTA DE MUJERES EN LA IGLESIA está presente - reuniram-se no fim de semana de 10 e 11 de maio de 2025, no El Escorial, para reafirmar o seu compromisso com a igualdade e o Evangelho.

Foi o terceiro encontro da Revolta das Mulheres na Igreja - Alçem o veu, um movimento que desde o seu nascimento em 2020 não parou de crescer e questionar a Igreja a partir de uma perspetiva de fé, igualdade e compromisso.

Para ler a notícia do evento, clicar em La Revuelta de Mujeres en la Iglesia reclama a León XIV que avance hacia la plena igualdad, texto de Abraham Canales, em Noticias Obreras, de que traduzimos uma síntese com o que julgamos essencial:

«As mulheres cristãs insistem que desejam “ser e estar em pé de igualdade com os homens numa Igreja mais circular e menos hierárquica, mais laica e menos clerical”, e sublinham o seu empenhamento numa Igreja que coloque no centro aqueles que foram marginalizados, também no seio da comunidade eclesial.

Esperança no novo pontificado de Leão XIV
O encontro, organizado há meses, coincidiu com um momento de grande relevância eclesial: o início do pontificado de Leão XIV. As mulheres da Revolta estão optimistas quanto às suas primeiras palavras e gestos. “A eleição de Leão XIV é um motivo de esperança, que nas suas primeiras declarações apontou para continuar o caminho da sinodalidade aberto por Francisco, em que todos avançamos juntos, uma Igreja servidora e misericordiosa, aberta e acolhedora para todos, todos, todos”, sublinham.

Neste contexto, pedem ao novo papa “que vá mais longe no caminho para a igualdade das mulheres na Igreja; pedimos-lhe que promova a reforma dos costumes, doutrinas e leis da Igreja que ainda estão ancorados numa conceção patriarcal clerical, que mantém a subordinação das mulheres e a sua invisibilidade em muitos domínios da comunidade eclesial”.

“O patriarcado é pecado”
A partir de uma espiritualidade libertadora e enraizada na vida, o movimento defende que “o trabalho e o pensamento das mulheres, bem como o seu acesso aos lugares de decisão, são fundamentais para a necessária conversão da Igreja ao Evangelho”. Citam também as palavras do novo pontífice na sua primeira saudação como pastor da Igreja universal: “Uma Igreja sem medo, que confia em Deus e que o mal não prevalecerá”.

“Queremos que a Revolta seja identificada não só pela igualdade das mulheres na Igreja, mas também pela denúncia do facto de que o patriarcado é pecado e que a glória de Deus é que nós, mulheres, vivamos e o façamos em plenitude e abundância”, denunciam.

Compromissos concretos baseados na esperança
Como resultado do encontro, as mulheres das diferentes Revoltas reafirmaram o seu compromisso com a esperança concreta, encarnada em ações que já estão a levar a cabo e que desejam reforçar. Entre elas, comprometeram-se a continuar a criar comunidades cristãs de irmandade e a manter um esforço constante de formação teológica e feminista. Promoverão também a teologia feminista tanto na sua vida quotidiana como nos espaços públicos, reivindicando a sua presença em todos os âmbitos eclesiais possíveis: na liturgia - incluindo o altar - na organização, na representação e na expressão pública da fé.

Do mesmo modo, continuarão a apoiar a pastoral da diversidade sexual a todos os níveis da Igreja, exigindo estruturas diocesanas eficazes de prevenção, denúncia, escuta e acompanhamento das vítimas de abusos, tanto menores como adultos. Também celebrarão a vida e a fé a partir de uma perspetiva feminina, recuperando imagens, símbolos e linguagem inclusivos e libertadores, e produzirão materiais litúrgicos e pastorais que incorporem uma perspetiva de género.

Paralelamente, promoverão uma espiritualidade enraizada na vida e no compromisso com um outro mundo possível, onde a vida das mulheres seja importante, e renovarão o seu compromisso com as mulheres empobrecidas e com todas as periferias sociais e existenciais. Por fim, reforçarão a sua participação no diálogo com os movimentos feministas da sociedade civil e consolidarão a sua colaboração com as redes internacionais do feminismo católico, com especial atenção para o sul global.

Este terceiro encontro foi, para muitas das participantes, uma profunda experiência de comunhão, discernimento e determinação. “Porque o Deus da vida, que ama as suas criaturas, quer-nos livres e iguais e, por isso, condena tudo o que impede a nossa plenitude”, concluem.»

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