Católicos de esquerda, direita, centristas ou neutros? «A política cristã que não se curva a nenhum partido ou ideologia»

Não pensemos que tudo é política de direita, centro ou esquerda.  Existe a política cristã que não se curva a nenhum partido ou ideologia! 

Jesus também defendia os pequenos, os aflitos e os sem ninguém e isso também era política, mas Ele não se curvou a nenhuma das nove correntes políticas religiosas do seu tempo!

Ser Igreja é muito mais do que isto! Nem tudo começa ou termina em algum partido político. Dá para pregar política sem perder a fé.
 
Contudo, não pensemos que a nossa Igreja é contra a política. Política existe em todos os povos, na Bíblia, em todas as religiões e em todas as Igrejas.
 
O problema começa quando o fiel deturpa tudo e põe um partido, um político, ou uma ideologia acima da sua fé em Jesus!
 
Partido é uma parte: não pode ser tudo na vida de um católico! E a nossa fé ensina que crer é um comedimento pleno: ou se aceita Jesus ou se não aceita.
 
O crente pode até não conseguir ser fiel em tudo, mas deve fazer o esforço de melhorar todos os dias, sobretudo na bondade e na caridade.
 
Jesus respondeu ao fariseu sobre qual era o maior mandamento da Lei. E a sua resposta foi abrangente: «amarás o Senhor, teu Deus, com TODO o teu coração, com toda a tua alma, com todo o teu entendimento e com todas as tuas forças. O segundo é este: Amarás o teu próximo como a ti mesmo.» (Mt 22,34-40; Mc 12,28-34; Lc 10,25-28; Jo 13,33-35)

Não podemos ser crentes meia-boca. Uma coisa é querer, outra é não conseguir. Mas a vontade deve ser a de melhorar todos os dias!

Aprendemos na catequese a diferença entre pugnar pelos direitos humanos e lutar pelo seu partido! O partido não pode passar por cima dos direitos humanos!

O Código de Direito Civil e o Código de Direito Canónico não podem se submetido aos postulados de um partido. Isso seria ditadura!

Quem não sabe o que a Igreja ensina sobre política, procure saber o que é a doutrina social da Igreja.

E, se mesmo assim, o crente insiste em ser direitista ou esquerdista, centrista ou totalmente neutro, ou até expressar ódio de política, é porque nunca leu o catecismo. Está lá claro: dialogaremos com os grupos políticos, mas não nos submeteremos a nenhum deles. O católico até pode ser de algum partido, mas votará contra qualquer decisão que for contra o que está nos evangelhos.

O crente usa a política com serenidade e com moderação. Faz como alguém que sabe beber ou comer sem ficar tonto, bêbado ou entupido de tanto comer: ele escolhe o que colocar no prato e no copo!

Não façamos da política um vício; não nos tornemos fanáticos como eram os fariseus que odiavam Jesus em nome do seu judaísmo!

Hoje, há crentes em todas as religiões e igrejas odiando os outros em nome da sua fé. Então não é fé: é desequilíbrio de quem não consegue discordar sem caluniar ou berrar as suas certezas.

Que tal conversar com respeito, mesmo que creiamos diferente?

Padre Zezinho, dehoniano

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