Jesus pergunta a Pedro: Tu amas-Me?» - Dicas para viver a ressurreição como vivência apaixonante

«Senhor, Tu sabes tudo, bem sabes que Te amo», diz Pedro a Jesus Ressuscitado.

Em cada domingo do tempo pascal, somos convidados a repensar a nossa fé, o encontro com Cristo que se realiza e se desenvolve na vida quotidiana, na labuta diária das nossas tarefas. Isto significa que a ressurreição deve ser experimentada no presente que vivemos.

É por isso que, nas aparições pascais, as refeições onde o pão é partido, distribuído e partilhado, onde tudo é posto em comum e onde o serviço é prestado aos mais necessitados, aos que estão em dificuldade, são de grande importância.

No mundo globalizado em que vivemos, que sentido damos à fé?
O que significa hoje celebrar a Páscoa numa sociedade materialista, onde predomina o imediatismo, a descrença e a indiferença religiosa?

Onde estão as nossas crianças, os jovens e os adultos durante a pausa pascal?

E que é feito daqueles que receberam uma educação na fé numa comunidade paroquial cristã empenhada e, no entanto, se desligaram ou se distanciaram das celebrações e mostram um total desinteresse em transmitir a fé recebida?

O que não temos dúvidas é que o Abba Deus continua a chamar cada pessoa de formas insuspeitas, através de outras mediações que, felizmente, transcendem todas as nossas expectativas.
 
Mas, por outro lado, será que a Igreja Católica é coerente e credível ao manter uma estrutura patriarcal, misógina, onde prevalecem as relações de poder, onde uns são privilegiados em detrimento de outros(as)?

Dicas para viver a ressurreição como vivência apaixonante
O Senhor ressuscitado está também presente no trabalho que, em espírito de solidariedade, os discípulos realizam de forma simples, sem declarações altissonantes, no duro caminho da vida. O Senhor “aparece” na história humana para nos ajudar a fazer dos nossos passos uma história de salvação.
 
A primeira leitura dos Atos dos Apóstolos (At 5, 27b-32. 40b-41) mostra-nos como, nas primeiras comunidades, se viu a necessidade de desobedecer formalmente a uma ordem da autoridade, porque ia contra as exigências radicais do Evangelho. Somos nós testemunhas qualificadas - “Testemunhas disto somos nós e o Espírito Santo” -, perante qualquer autoridade que nos peça para sermos servis, complacentes com as suas exigências, cúmplices dos seus enganos?
 
No Evangelho de João (Jo 21, 1-19), «Jesus vem, toma o pão e dá-lho, e o mesmo acontece com o peixe.»

Em que mesas tornamos hoje presente o Ressuscitado? Que sinais exteriores revelam a autenticidade da “minha ressurreição” interior, o encontro real em que Jesus me pergunta se o amo?
 
Que chaves nos podem ajudar a viver a ressurreição como um caminho de renovação, experimental, apaixonante?
 
- Acolher e agradecer as pequenas coisas de cada dia como uma dádiva: cada nascer/pôr do sol, o ar que respiro, um prato de comida na mesa, a casa onde vivo, o nascimento de cada ser humano, a plantinha ou a árvore que volta a crescer...
 
- Viver o presente, que me coloca em contacto com a eternidade, faz-me olhar para além das limitações, venham elas de onde vierem...
 
- Contemplar os acontecimentos, as situações, as notícias como uma oportunidade para ver a trama, a urdidura da vida, o mistério que nos envolve, a mão misteriosa que nos guia no oculto...
 
- Deixar de ruminar os fracassos do passado, o bem que não fiz, a culpa que me angustia, os pensamentos que me enredam...
 
- Não me preocupar com a insegurança do futuro: o trabalho, a saúde, a família, a situação do mundo; não há medo se confio que estou nas mãos de Deus.
 
- Olhar para cada homem ou mulher sem fazer distinções de aparência, sexo, etnia, condição social... porque somos todos irmãos e irmãs e até considerar aqueles que causam dor aos mais necessitados, aos inocentes... e rezar ao Senhor por eles para que mudem de atitude...
 
- Alimentar-me todos os dias da Palavra de Deus que me nutre, me sustenta, me transforma, me impele a seguir os seus passos mesmo nas adversidades da existência.
 
- Encontrar espaços de contemplação e de silêncio que me ajudem a saborear o diálogo autêntico de Deus em mim e de mim nele.
 
- Caminhar cada dia tendo presente as bem-aventuranças de Jesus e a subversão de valores que elas implicam para a minha vida. E se não tiver forças para mudar, peço ao Abba Deus que não me largue a mão.
 
- Ter em mente a morte, não como o fim do caminho, mas como o início da Vida, o “eu sou” definitivo, a entrada do meu Ser em plenitude, ou seja, o encontro definitivo com Cristo na outra margem da eternidade.
 
O encontro definitivo passa pelos encontros quotidianos nesta margem da vida. Somos nós, cristãos, um sinal autêntico da presença do Ressuscitado hoje?
 
Paz!
 
Maria Luisa Paret, em Fé Adulta

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