O padre deve ser um verdadeiro apaixonado por Jesus, procurando-o imitar, no seu dia-a-dia. Que a jaculatória tão popular “Jesus, manso e humilde de coração, fazei o meu coração semelhante ao vosso” guie todo o caminho de conversão de qualquer cristão, mas principalmente dos sacerdotes. Ao contrário dos hipócritas, na sua oração, não faça questão de ser visto pela sua comunidade (“A discrição é o perfume de todas as virtudes”), mas ao ser visto (eventualmente) convide, indiretamente, o seu rebanho a imitá-lo, a exemplo do verdadeiro Mestre, que também se retirava para orar.
Anunciador do Evangelho
Na sua comunidade, não seja o padre o único conhecedor e possuidor da Boa-Nova de Jesus Cristo e de todo o conhecimento em matéria religiosa, respetivamente, mas seja ele, por excelência, aquele que orienta o santo povo para o seu Deus, através da Palavra, a exemplo do Bom e Eterno Pastor, Jesus Cristo, que nos leva ao Pai.
Testemunha do Evangelho
Que o padre não seja apenas anunciador, mas sobretudo testemunha daquilo que anuncia. “Crê o que lês, ensina o que crês e vive o que ensinas”: que estas palavras, proferidas na celebração da ordenação diaconal, guiem-no, não só enquanto diácono, mas sobretudo na vida sacerdotal. “Uma grama de exemplos vale mais que uma tonelada de conselhos” (provérbio popular), portanto, mais facilmente, o sacerdote conseguirá cativar o seu povo com o seu exemplo de vida, do que com sermões requintados.
Próximo do seu povo
Desde o primeiro instante, não seja o padre considerado alguém estrangeiro, imigrante, alguém isento do pecado e da fragilidade; mas seja visto, como um homem, a quem Deus chamou para O servir e à sua Igreja. Que o padre procure estar em contacto com a sua comunidade, não só e apenas nas celebrações litúrgicas, mas também em convívios, em cafés, espaços culturais e procure se inteirar dos movimentos/ forças vivas daquela freguesia. A par das alegrias e tristezas, vividas na Igreja, lugar de comunhão com Deus e com os irmãos, que o padre procure também acompanhar o seu povo, nos momentos bons e menos bons daquela localidade, como por exemplo: numa festa, promovida pela Junta de Freguesia; mas também num funeral (evitando só chegar perto da hora da celebração exequial). Portanto, que o padre demonstre a sua presença humana.
Zeloso espiritualmente
De toda a pastoral a desenvolver numa paróquia, que o sacerdote/ pároco dedique tempo ao cuidado espiritual do seu rebanho, e procure sensibilizar os paroquianos, para esta necessidade espiritual. Assim, mostre-se disponível, para acolher, ouvir e aconselhar, através do sacramento da penitência e da direção espiritual. Para além disso, no sacramento da Eucaristia, se possível diariamente, ofereça o sacrífico da Santa Missa, pelas intenções do povo a ele confiado. Deste modo, procure-se satisfazer esta sede espiritual, que muitos sofrem, já que “nem só de pão vive o homem…”
Fraterno
Pelo sacramento do batismo, tornamo-nos todos irmãos e filhos muito amados de Deus, procurando imitar o seu amor misericordioso. No sacramento da ordenação, que não anula o batismo, os sacerdotes são inseridos numa “família”, cujo membros partilham da mesma vocação: o serviço a Deus e ao próximo. Assim sendo, que o padre viva e demonstre fraternidade para com os seus irmãos, no ministério. Apesar da fragilidade humana dos irmãos no sacerdócio, procure-os amar, “alargando o seu olhar” e imitando o coração transbordante de amor do Eterno Sacerdote.
Formador
Na paróquia, seja o sacerdote o principal catequista, que forme o santo povo de Deus, para que viva autenticamente e esclarecidamente a sua fé. Assim, e se possível, em conjunto com as paróquias vizinhas ou ouvidoria, promova formações, relacionadas, por exemplo, com as Sagradas Escrituras, com a liturgia e com outras áreas de pastoral, que necessitem de atenção, esclarecimentos e formação. Só assim, conseguiremos ter uma Igreja, onde os leigos participem, conscientes do seu importante papel na comunidade.
Simples e aberto
Em todas estas ocasiões referidas anteriormente (confissão, direção espiritual, eventos culturais, convivência em locais de lazer e convívio, etc), que o padre demonstre simplicidade e abertura para o diálogo, ao jeito de Jesus Cristo, de coração manso, humilde e aberto a todos. Que o sacerdote, muitas vezes, tenha a capacidade de se sacrificar, diminuindo-se para que Cristo apareça; e ainda, se mostre aberto a “todos, todos, todos”, colocando preconceitos, orgulhos, soberbas e ideologias pessoais, de parte.
Líder e não chefe (privilegiar o papel dos leigos na Igreja)
Envolvido por uma constante caminhada sinodal, que o padre não emita ordens e o povo obedeça; mas sim, através de organismos, como o Conselho Pastoral Paroquial, com os leigos, delinhe um programa pastoral, que satisfaça a maioria. Portanto, que o pároco não seja um líder, mas um coordenador; não se impunha, mas se propunha. A Igreja não são só os padres! Uma comunidade paroquial não é constituída por padres; mas por leigos, guiados espiritualmente por um sacerdote.
Amar o seu povo, apesar da fragilidade humana
Ao decidir seguir a vida sacerdotal, que o padre procure verdadeiramente amar o povo que Deus lhe confiou, através do Bispo diocesano. À semelhança de Jesus Cristo, não feche a “porta” aos que falharam: para além do pecado, da falha, da fragilidade, há uma pessoa que precisa ser amada. “O amor ao próximo não deixa queimá-lo nos seus fracassos; deixa um espaço para o crescimento e amadurecimento”. Assim como Deus nos dá a possibilidade de sempre recomeçar, sejam todos os cristãos e os sacerdotes, em particular, capazes de suportar e amar, confiando e esperando este recomeço e crescimento do nosso irmão.
David Carreiro,
aluno do Propedêutico, em Seminário de Angra, Açores, março 2024
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