Adeus, geração de aço? Olá, geração de cristal?

A Geração de Aço está a despedir-se – em silêncio, como sempre fizeram tudo na vida. Cresceram com pouco e ainda assim conseguiram dar tudo… até a paciência, coitados, que gastaram a educar filhos e netos que agora choram se o Wi-Fi falha durante 10 segundos.

Trabalharam desde que tinham força nos braços (e isso era cedo), passaram fome, souberam o que era racionar pão e não emoções. Conheceram a guerra, a perda e o sacrifício – palavras que hoje soam a filmes do Netflix e a livros que ninguém lê.

Ergueram casas com tijolo, suor e fé. Criaram famílias sem tutoriais no YouTube e educaram filhos sem precisar de psicólogos infantis ou aplicações para gerir birras.

Viviam sem internet, mas sabiam tudo. Não usavam GPS, mas não se perdiam. Não tinham carros de alta cilindrada, mas sabiam exactamente onde estavam e para onde iam.

Hoje, muitos vão partindo em silêncio, sem posts nas redes sociais ou despedidas dramáticas. E com eles, leva-se um pedaço da dignidade, da coragem e da força que não vem em cápsulas nem se compra online.

Fica o exemplo. E a pergunta: estaremos à altura de continuar o que construíram, ou vamos tropeçar no caminho por causa do eco dos nossos próprios egos?

Obrigado, Geração de Aço.

Foram ferrosos, mas com coração.

Que saibamos ser, ao menos, uma liga resistente. Nem que seja alumínio com juízo.

Texto inspirado em publicações nas redes sociais das quais desconheço a autoria.

Presbítero António Martins, da diocese de Braga

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