Num mundo marcado pela crescente militarização, rearmamento
e violência, como cristãos e cristãs chamados a ser construtores da paz, não
podemos ficar indiferentes diante da realidade da guerra e da injustiça. Toda a
nossa tradição nos ensinou que a verdadeira paz não pode ser construída sobre
os alicerces da violência nem da exclusão. Ela nos chama a mudar a nossa
mentalidade e a rejeitar as estruturas que perpetuam a violência e a
desigualdade, especialmente aquelas que buscam o poder e o controle por meio das
armas.
Recordamos com gratidão e carinho o Papa
Francisco, defensor incansável do compromisso com a paz, frente aos caminhos do
medo, da guerra e das armas. Ressoam especialmente as suas palavras do Domingo
de Páscoa sobre a impossibilidade da paz sem um verdadeiro desarmamento, contra
uma corrida geral ao rearmamento e apelando a não ceder à lógica do medo.
Na sua encíclica Laudato Si', o Papa Francisco lembrou-nos
que o atual sistema económico, que prioriza o lucro sobre a vida humana,
contribui para uma «economia que mata», onde as armas, o armamento e a
violência são vistos como soluções, enquanto os recursos necessários para o
desenvolvimento humano e a justiça social são desperdiçados. Este sistema
alimenta uma cultura de violência que sacrifica vidas inocentes e destrói a
nossa casa comum, o planeta.
Vivemos no contexto de uma «cultura do descarte» que trata
as pessoas como objetos descartáveis quando não se encaixam no modelo económico
e social dominante. Em vez de buscar soluções pacíficas e humanas para os
conflitos, o militarismo e a corrida armamentista são cada vez mais vistos como
respostas legítimas, não mais à busca da segurança, mas como meios para a
reativação económica. Isto não é apenas um pecado contra a justiça, mas uma
grave ofensa à dignidade humana que Deus concedeu a cada um dos seus filhos e
filhas.
Hoje somos chamados a reconhecer esta lógica destrutiva e a
denunciá-la. Devemos dizer «não» ao rearmamento, à violência que consome os
nossos recursos e à falsa promessa de segurança que as armas nos oferecem. É
hora de investir no desarmamento, na educação, na atenção às pessoas mais
pobres e vulneráveis, na construção de pontes de entendimento entre países e
culturas e na promoção de uma cultura de paz baseada no respeito e na
fraternidade.
O Papa Francisco convidou-nos a uma mudança profunda: a
rejeitar a lógica do descarte e do poder militar e a abraçar uma economia ao
serviço da vida, onde a justiça social, o respeito pela dignidade humana e a
proteção do meio ambiente sejam a verdadeira medida da nossa prosperidade. A
paz não é simplesmente a ausência de guerra, mas o resultado de um compromisso
contínuo com a justiça e a vida para todos. Este é o caminho para uma paz
verdadeira, que não é apenas a ausência de guerra, mas a presença ativa da
justiça e do amor nas nossas relações, nas nossas decisões políticas e nos
nossos compromissos globais.
Levantemos as nossas vozes contra o militarismo e o
rearmamento, exigindo aos nossos líderes que escolham a paz e a cooperação em
vez da violência e da destruição. Coloquemos o ser humano e o planeta no centro
das nossas decisões. Que a nossa fé e a nossa ação se unam para transformar
este mundo! Não podemos esperar mais. O momento de agir é agora.
Pessoas, grupos, comunidades e movimentos cristãos de
Bizkaia, Bilbao, Espanha, em Eclesalia
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