Nos 1700 anos do Credo de Niceia, celebração ecuménica nacional em Lisboa revigora o compromisso

Para assinalar os 1700 do primeiro Concílio de Niceia, que convoca para uma “Igreja indivisa” e “revigora o compromisso ecuménico”, o Conselho Português das Igrejas Cristãs (COPIC) e a Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) promoveram no sábado, 14 de junho, véspera do domingo da Trindade, uma celebração ecuménica nacional na Catedral Lusitana de S. Paulo, em Lisboa.

Estiveram representados todos os grandes ramos do Cristianismo: a Igreja Católica, Igrejas Ortodoxas e Orientais e Igrejas Reformadas/Protestantes: a Igreja Presbiteriana, representada pelas pastoras Miriam Lopes e Idalina Sitanela; a Igreja Metodista, com o Pastor Timóteo; a Igreja Escocesa, a Igreja Anglicana (Lusitana e Inglesa); e igrejas evangélicas através da Direção da Aliança Evangélica. Na assembleia participaram, entre muitos outros, alguns membros das Igrejas Presbiterianas de Algés e do Montijo e da Igreja Metodista de Lisboa.

“Niceia hoje vale para nós porque definiu aquilo que é essencial: a fé num Deus que é trino, Pai, Filho e Espírito Santo, deixando também espaço para outras vivências da fé. Não uniformizando, mas sim constituindo um desafio à unidade “naquilo que é essencial”, afirmou D. Pina Cabral, Bispo da Igreja Lusitana e presidente do COPIC, que presidiu à celebração.

“Ao celebrarmos o aniversário do primeiro Concílio de Niceia, nós celebramos a mesma fé em Jesus Cristo, e é isto que, no Espírito Santo, também nos aproxima, nos une e também nos compromete hoje", acrescentou.

Na sua homilia, o patriarca de Lisboa, D. Rui Valério, da Igreja Católica Romana, afirmou que esta celebração ecuménica é um “momento de alegria e de esperança” e sinal de que a comunidade está a “aderir a um projeto maior, a um projeto de dignidade, a um projeto de paz”.

“Um mandato”, concretizou o padre Peter Stilwell, diretor do Departamento das Relações Ecuménicas e do Diálogo InterReligioso no Patriarcado de Lisboa, “que todos nós temos, e uma capacidade de reconciliação, de perdão, de entendimento, de construção da paz. Juntando os nossos talentos diferentes podemos colaborar nessa resposta ao mundo”.

Como um fio condutor, o tema da Luz passava por toda esta celebração solene: a luz da criação, a luz do Evangelho manifestada na Trindade, a partilha da Luz: "Não se acende uma candeia para colocá-la debaixo do alqueire!". Numa linda cerimónia simbólica, a luz do círio pascal chegou a todos os participantes e iluminou a igreja: “acendendo velas e saudando-nos com a Luz de Cristo’, passávamos o fogo uns para os outros", nas palavras do Pastor Valdir França.

No fim da celebração, o bispo da Igreja Lusitana evocou ainda o caminho conjunto realizado entre o Conselho Português das Igrejas Cristãs e a Conferência Episcopal Portuguesa, nomeadamente o “reconhecimento mútuo do batismo, a celebração de uma mesma fé, o compromisso para com a criação, o compromisso para com os migrantes”, lembrando que anda falta o passo para juntos celebrarmos à volta da mesma mesa eucarística.

Um momento de forte simbolismo foi quando se acenderam três grandes velas simbolizando a Trindade e, ao mesmo tempo, os três grandes ramos do Cristianismo: a primeira vela foi acesa pelo Patriarca simbolizando o Catolicismo; a terceira vela foi acesa pela Pastora Idalina Sitanela em representação das Igrejas Reformadas, Anglicana e Evangélicas e; por fim, o Arcebispo Bessarion do Patriarcado de Constantinopla acendeu a vela do meio, representando o mundo ortodoxo e oriental e também mais antigo.

A súmula do que se passou nesta abençoada Celebração, pela qual agradecemos a todos quantos a prepararam, a começar pelo Presidente do COPIC Bispo Jorge Pina Cabral, pode ser expressa pelas palavras do Salmo 133: 
“Ó quão bom e quão suave é que os irmãos vivam em união! É como o orvalho do Hermom, ali o Senhor concede a bênção para sempre!"

Texo: Pastora Miriam Lopes, no jornal ELOS Presbiterianos,
de onde são também as fotos 

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