Por Jesus sabemos que a vontade de Deus é que vivamos
compartilhando, perdoando, consolando, ajudando, servindo e trabalhando pela
justiça. E sabemos disso porque Ele viveu assim; porque passou pela vida
fazendo a vontade do Pai. Como disse o seu amigo Pedro: «Passou fazendo o bem e
ajudando os oprimidos pelo mal...» (livro dos Atos dos Apóstolos), ou seja, criando humanidade ao seu redor, e
essa deve ser nossa melhor orientação e nossa melhor oração.
Agora, também sabemos que Jesus se retirava frequentemente
para orar; que precisava de oração para enfrentar a tarefa gigantesca a que se
tinha proposto. Podemos imaginá-lo lá na solidão da montanha, dirigindo-se a
Abba para compartilhar com Ele os seus anseios, as suas inquietações, os seus
fracassos e tentações; como fazem os filhos com o seu pai.
Um dia, nas margens do lago, uma voz se levantou entre a
multidão e gritou: «Ensina-nos a orar», e como sempre acontecia, a resposta de
Jesus superou todas as expectativas, porque nela nos fez entrega do seu Deus,
Abbá, e participantes da sua própria relação com Ele. Quando orarem, disse-nos,
não se dirijam ao Deus todo poderoso e eterno, mas a Abbá, seu pai, sua mãe,
porque vocês não são escravos ou empregados, mas filhos amados. E peçam o
importante; o Reino, o alimento, o perdão e a libertação da escravidão à qual
nos submete o mal.
«Assim, vós deveis orar: Pai nosso, santificado o teu nome,
venha o teu Reino, seja feita a tua vontade, dá-nos o pão de cada dia,
perdoa-nos como nós perdoamos, e livrai-nos do mal.»
O que se pede no Pai-Nosso é que "venha o seu
Reino", que "seja feita a sua vontade", o que equivale a uma
renúncia a todos os pequenos pedidos que costumam povoar as nossas orações, e optar por aspirações de verdadeiros filhos de Deus.
Como dizia Ruiz de Galarreta: «O Pai Nosso é a
oração dos filhos e constitui uma profissão de fé, uma confissão pública da
nossa relação com Deus e com os outros. Para rezar o Pai Nosso precisamos de
nos elevar acima da mediocridade e fazer um ato consciente de que somos filhos
construtores do Reino dos Céus.»
Miguel Angel Munárriz Casajús, em Fé Adulta
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