«Está tudo bem em não estares bem. Mas não fiques aí para sempre» -, assim começa esta reflexão animadora do padre João Torres
Não há problema em ter dias difíceis. Há dias em que o corpo acorda, mas a alma não acompanha. Em que o sorriso não aparece, por mais que o mundo o espere. Nem todos os dias são bons, e reconhecer isso é sinal de maturidade — não de fraqueza. É entender que viver é também atravessar tempestades e silêncios.
Mas cuidado.
Não faças da dor morada. Não transformes o “não estou bem” em resposta automática, onde te escondes do mundo e de ti. A dor pode ensinar, mas não deve comandar a tua vida.
Perguntemo-nos: o que é estar bem?
Ter saúde, dinheiro e amor — tudo ao mesmo tempo? Se for isso, nunca estarás completamente bem. A vida não vem em pacotes perfeitos. É feita de contrastes.
Quando há saúde, pode faltar amor.
Quando há amor, talvez falte paz.
Mesmo quando tudo parece certo, algo dentro de nós insiste: falta qualquer coisa. E está tudo bem com isso.
Estar vivo é isso mesmo: carregar cicatrizes, temer o futuro, lidar com o passado. Não significa estar mal. Significa estar aqui — inteiro, imperfeito, mas presente.
A vida não espera que te sintas pronto.
Ela segue, mesmo quando tu não consegues.
E por isso, tu também tens de seguir. Com medo, se for preciso. Com passos curtos. Mas seguir.
Permite-te não estar bem. Para. Sente. Mas depois, levanta-te.
Não esperes que tudo esteja perfeito para começares a viver.
Não adies o que só tu podes fazer por ti.
Viver é isto: abraçar a imperfeição e, ainda assim, continuar a caminhar.
Presbítero João Torres, da diocese de Braga
Comentários
Enviar um comentário