A Associação Fraternitas Movimento, que, em Portugal, tem o mesmo propósito do MOCEOP, movimento cidadão e cristão espanhol (ver o seu perfil mais abaixo*), subscreve em concordância este seu manifesto contra o ódio:
Movimento contra o ódio
«No MOCEOP, movimento cidadão e cristão, não podemos tolerar
esta onda de ódio e violência que está a crescer exponencialmente na esfera
mundial contra a dignidade das pessoas mais fracas e vulneráveis.
Denunciamos essas ideologias e práticas intransigentes,
divisórias e persecutórias que propagam grupos, coletivos, partidos políticos e
governos ultrarreacionários através das redes sociais, tertúlias, legislações,
programas governamentais, campanhas, propostas partidárias, captação de jovens
e todo um sistema de influência com boatos, mentiras e difamações com total
impunidade.
(Um exemplo recente de indignidade e desprezo contra os imigrantes
são as declarações do (partido) Vox, que quer expulsar mais de oito milhões de imigrantes
com os seus filhos, e a sua pretensão de que a diocese de Almería retire o
projeto de converter o seminário fechado num espaço de atendimento e apoio aos
imigrantes.)
Além disso, rejeitamos todo o ódio que provoca o racismo, a
xenofobia, a islamofobia, o antissemitismo, a misoginia, o antigitanismo, a
aporofobia, a lgtbqfobia, o sexismo, o puterismo, o ageísmo e todas as ações
violentas contra pessoas diferentes, os seus direitos humanos individuais e
coletivos.
Da mesma forma, indigna-nos e magoa-nos o espírito
belicista, guerreiro, genocida e de rearmamento militar e armamentista que está
a apoderar-se dos governos e organismos internacionais e que produz ódio,
guerra e medo entre os seres humanos e vizinhos. As armas não nos protegem,
matam-nos.
Pedimos a todas as religiões e igrejas que levantem a voz e
clamem pelos caminhos do mundo a paz, o amor, a fraternidade, que são a
essência do seu espírito fundacional.
Como cristãos seguidores de Jesus de Nazaré, sentimo-nos
interpelados pelo evangelho que nos pede para proclamar e praticar a
fraternidade e a misericórdia, dando de comer, beber, acolher, visitar e cuidar
do estrangeiro, do prisioneiro, do doente e «de todos os meus irmãos mais
pequenos» (Mt 25, 35ss)»
MECEOP, publicado em Eclesalia Informativo
*MOCEOP: https://moceop.net
é um grupo de crentes em Jesus de Nazaré, surgido em
1977 em torno do fenómeno dos padres casados e das esperanças de renovação
originadas pelo Concílio Vaticano II, que reivindicamos que o celibato seja
opcional.
Os membros do Moceop são pessoas afetadas mais ou
menos diretamente pela lei do celibato. Mas não só, também fazem parte deste
grupo crentes que se identificam com esta reivindicação.
O aspecto reivindicativo (celibato opcional) foi o
aglutinante inicial. A evolução posterior e a reflexão comunitária ajudaram-nos
a ampliar as perspetivas.
SENTIMOS-NOS UM MOVIMENTO...
A nossa organização é mínima e funcional. O que nos une são
convicções que consideramos básicas no nosso caminho:
- A vida como lugar prioritário da ação de Deus.
- A fé em Jesus como Boa Nova para a Humanidade.
- A liberdade e a criatividade das comunidades de crentes.
- A pequena comunidade como o ambiente em que viver a
comunhão.
- Os chamados «ministérios eclesiais» como serviços às pessoas
e às comunidades, nunca como um poder à margem ou acima delas.
ESTAS SÃO AS NOSSAS COORDENADAS
- A transformação da nossa Terra num mundo mais humano e
solidário (Reino de Deus) é mais importante para nós do que os ambientes
eclesiais.
- As causas justas: ecologia, solidariedade, pacifismo,
direitos humanos. O Evangelho como Boa Nova: ilusão, esperança, sentido da
vida.
- Somos igreja e queremos viver nela de outra forma:
comunidade de crentes em construção e ao serviço das grandes causas do ser
humano; em busca, em solidariedade e em igualdade.
- Não queremos construir algo paralelo nem em confronto com a
igreja: somos parte dela, em comunhão. Procuramos a colaboração com outros
coletivos de crentes (Redes Cristãs), para partilhar e celebrar a nossa fé.
APOSTAMOS POR...
- Ser acolhedores e acompanhar aqueles que se sentem excluídos
e perseguidos.
- Propor alternativas, com factos, à atual involução
eclesiástica.
- Defender que a comunidade está à frente do clero.
- Favorecer por todos os meios a opinião pública e a
participação na igreja.
- Defender que a pessoa é sempre mais importante do que a lei.
- Colaborar com outros grupos de base que lutam contra a
exclusão.
- Defender que os ministérios não devem estar vinculados a um
género nem a um estado.
- Estar cada vez mais abertos às lutas pela justiça e pela
solidariedade.
- Questionar o quanto for necessário em busca da coerência com
o evangelho.
- Buscar juntos e com aqueles que desejam buscar:
esclarecer-nos, viver, partilhar.
- Contribuir, a partir das nossas convicções, com canais para
a vivência da fé.
- Servir de referência para aqueles que vivem a fé a partir da
fronteira.
- Valorizar o secular: participar em associações que criam
cidadania.
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