Na "história da Arte" de cada um de nós, há dois
escultores admiráveis: o Tempo e o Amor! Mas, quanto de tensão existe entre
"estes dois"!...
O Tempo, paciente e indomável burilador da memória, por mais
habilidoso que seja, não é capaz de fazer desaparecer "as palavras
demoradas", muito menos as marcas de vida com futuro que o amor vai
deixando...
E o Amor, esse (e)terno escultor da Esperança e do Futuro,
resiste a tudo e a todos! Resiste ao tempo, ao orgulho, ao medo e até à Morte!
Mas há dias e... "Os dias aniversários" são (serão
sempre!) aqueles dias em que Morte e Vida, Amor e Tempo, Ausência e Presença,
Fé e Medo, Dúvida e Certeza vêm bailar, dentro de mim, sem que eu os convoque
para a dança...
Contudo, estes "assuntos" já não chegam como
aquele vendaval que me tirava o sono, as forças, a vontade de comer e, até os
meus passos desequilibrava...
Hoje estão mais "educados". O tempo é bom nisso...
Mesmo entrando sem bater, já não desarrumam tudo... Entram
como um vento, cada vez mais ameno, que me traz, com algum cuidado seletivo, as
melhores reCordAções e, juntamente com as palavras mais bonitas, que eu
continuo a ouvir, traz beijos, abraços e cumplicidades do "nosso breve
encontro com a vida", onde o amor foi o QUERER mais determinante.
Passaram dois anos. Tempo suficiente para eu perceber que há
um abismo entre esse QUERER cúmplice treinado a dois, e este "agora sou só
eu", que amanhece comigo todos os dias.
Foram muitos os pretextos que arranjei para sair daqui,
deste lugar onde tudo continua a ser memória fresca. De cada ida e vinda trouxe
um voto, um projeto de mudança, um pequeno passo apontado. Primeiro comecei a
sentar-me à mesa sozinha, voltei a tomar pequeno-almoço, a pegar num livro para
ler, a rezar um salmo de vez em quando... Voltei a olhar, sem chorar, para o
lugar vazio ao meu lado no carro... Comecei a dizer "sim" a convites
a que me apetecia dizer "não" (Que bom que se lembraram de mos fazer!
Obrigada!) Etc. Etc.
Devagarinho. Sempre devagarinho...
Hoje agradeço. Ao tempo que passa e ao Amor que fica. A todo
o Amor. Também àquele amor cheio de nomes que, durante anos, se foram
misturando com o nosso nome e, porque permaneceram no meu, umas vezes são
esteio, outras vezes são bordão. Mas sempre, sempre, pura Alegria! Pura Graça!
E Tu, bom Deus! Bendito sejas! Pelo Tempo, "esse grande
escultor", que nos vai moldando,
Pelo Amor,
Pela Fé,
Pela Vida...,
Também pela Morte...
Também pelas Dúvidas...
Hoje estão mais "educados". O tempo é bom nisso...
Pelo Amor,
Pela Fé,
Pela Vida...,
Também pela Morte...
Também pelas Dúvidas...
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