Palavras inspiradas as do patriarca de Lisboa na celebração de ordenações presbiterais e diaconais de 2025
Homilia na celebração de Ordenações Sacerdotais e Diaconais: «Ministério ordenado, sinal
sacramental da esperança da Igreja»
1. Celebramos hoje dois colossos da fé cristã: Pedro e Paulo, colunas da Igreja. Pedro, o pescador de Galileia, frágil, impetuoso, escolhido para ser rocha. Paulo, o perseguidor convertido, incansável anunciador do Evangelho aos gentios, até aos confins da terra. Dois apóstolos apaixonados por Cristo, porque tocados e amados por Ele.
Não são apenas figuras do passado. São rosto da Igreja viva, modelo do que hoje celebramos nesta ordenação: uma Igreja apostólica, enviada, ferida, fiel. E sobretudo: esperançosa.
2. Na primeira leitura (cf. At 12, 1-11), Pedro está preso, acorrentado, vigiado, mas Deus envia o seu anjo e liberta-o. Num momento de fragilidade, é a oração da Igreja que o sustenta. Pedro é salvo não para se esconder, mas para continuar a missão para que fora escolhido.
A missão do padre e do diácono é esta: não servir-se da Igreja, mas ser liberto para servir a Igreja. Como dizia o Santo Cura d’Ars: «O padre não é padre para si mesmo. Ele não se absolve, nem se administra sacramentos. Ele não existe para si, mas sim para os outros». Ser liberto, em primeiro lugar, de tudo aquilo que em si é estorvo à ação de Deus e necessita de conversão e purificação. Ser liberto, também, de todas aquelas perspetivas mundanas, que podem ver o ministério sagrado como uma carreira ou um ganha-pão. Ser livres de toda a escravidão do comodismo, dos esquemas pré-definidos e dos preconceitos. O tempo de Seminário foi o período que Deus vos ofereceu para se enraizar cada vez mais em vós o desejo, o propósito e a ação da santidade.
Hoje, ao receberdes a imposição das mãos, o Senhor também vos envia «como anjos uns para os outros» para libertar, acompanhar, consolar. Não com força humana, mas com a graça que tudo renova. Em primeiríssimo lugar e sempre, recordai que sois chamados a ser santos!
3. Na segunda leitura (cf. 2 Tm 4, 6-8.18-18), Paulo sabe que o fim está aproximo. Já não teme: «Combati o bom combate, terminei a minha carreira, guardei a fé» (2 Tm 4, 7). Mas não se gloria de si: «O Senhor esteve a meu lado» (2 Tm 4, 17). Ele sabe que a fidelidade tem um preço, mas que Deus nunca abandona aqueles que disseram «sim» para O servir.
Queridos ordinandos, a vossa meta não é o sucesso, não é a fama, mas guardar a fé até ao fim. Não vos iludais: todos nós seremos feridos, contestados, provados. Mas o ministério ordenado não é apenas uma função pastoral. Ele é sinal sacramental da esperança da Igreja, presença do Cristo Pastor no tempo que temos a graça de viver.
4. No Evangelho (cf. Mt 16, 13-19), Pedro faz a confissão decisiva: «Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo» (Mt 16, 16). Não por mérito, mas por revelação. E Jesus responde: «Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja» (Mt 16, 18). A Igreja não é edificada sobre perfeições humanas, mas sobre a fé em Cristo, recebida do testemunho e anúncio dos apóstolos e confessada com humildade e verdade.
Hoje, nesta ordenação, cada um de vós diz: «Tu és o Cristo». E o Senhor responde: «Apascenta as minhas ovelhas» (cf. Jo 21, 16.17). Este é o vosso ministério: confessar com a vida e apascentar com misericórdia. Todos os dias das vossas vidas, recordareis que o Senhor vos escolhe, hoje e em cada momento. Ele dá-vos a graça necessária, todo o auxílio de que necessitais para o desempenho do vosso ministério com dedicação e amor.
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