Em Lucas 11, 1-13, Jesus incentiva-nos
a falar com Deus.
Diante de uma pessoa importante, é fácil ficar sem palavras,
sem saber o que dizer. Muito mais diante de Deus. Talvez por isso os discípulos
não rezem. Mas eles ficam curiosos ao ver Jesus a orar. O que diz Ele? Porque
não os ensina a falar com Deus?
A oração que Jesus ensina, o Pai-Nosso,
é a síntese de tudo o que Ele viveu e sentiu a respeito de Deus, do mundo e dos
seus discípulos. Em torno destes temas giram as petições (sejam sete, como em
Mateus, ou cinco, como em Lucas).
Quando imaginamos esse pequeno grupo em torno de Jesus percorrendo zonas pouco povoadas e pobres, compreendemos sem dificuldade esse pedido ao Pai para que lhe dê «o pão nosso de cada dia».
- Ampla, porque não podemos limitar-nos aos nossos problemas; o primeiro centro de interesse deve ser o triunfo de Deus;
Na verdade, não seria necessário ser tão insistente, porque Deus, como pai, está sempre disposto a dar coisas boas aos seus filhos.
É aqui que Lucas introduz um detalhe essencial. As palavras tão conhecidas «Pedi e vos será dado, buscai e encontrareis, batei e vos será aberto...» prestam-se a ser mal interpretadas. Como se Deus estivesse disposto a dar tudo o que Lhe fosse pedido, desde um emprego até à saúde, passando pela aprovação num exame. Esta interpretação provocou muitas crises de fé e a consciência diluída de que a oração não serve para nada.
O evangelho de Mateus 6, que recolhe as mesmas palavras, termina dizendo que Deus «dará coisas boas àqueles que lhas pedirem». A oração de Jesus no horto dos olivais demonstra que Deus tem uma ideia muito diferente da nossa, e até da de Jesus, sobre o que é bom e o que mais nos convém.
Mas as palavras do evangelho de Mateus não são claras para Lucas, que oferece uma versão diferente: «O vosso Pai celestial dará o Espírito Santo àqueles que o pedirem». Para Lucas, tanto no evangelho como no livro dos Atos, o Espírito Santo é o grande motor da vida da Igreja. No meio das dificuldades, mesmo nos momentos mais difíceis da vida, a oração insistente fará com que percebamos e ouçamos como Deus nos dá a força, a luz e a alegria do seu Espírito.
José Luis Sicre, em Fé Adulta
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