Dez ideias para tornar os espaços litúrgicos — igrejas, capelas e oratórios — cheios de beleza e bem-estar
Dez ideias para tornar os espaços litúrgicos — igrejas, capelas e oratórios — cheios de beleza e bem-estar, unindo o sentido
espiritual, estético, simbólico e acolhedor, de forma coerente com a tradição
litúrgica católica e aberta à sensibilidade contemporânea:
1. Luminosidade Sacra – Jogo de luz natural e artificial
Aproveitar a luz natural com vitrais, claraboias ou janelas
discretas para criar um ambiente sereno e simbólico. Complementar com
iluminação artificial quente e indireta, favorecendo momentos de oração, sem
excessos nem frieza.
2. Flores e plantas vivas – Vida e beleza contínua
Manter sempre flores frescas* ou plantas naturais* no
presbitério, junto ao sacrário ou nas capelas laterais. Usar arranjos que
respeitem o tempo litúrgico (cores, simplicidade no Advento e Quaresma,
esplendor na Páscoa e festas).
(*Nota da Fraternitas: O uso de flores artificiais em igrejas, embora comum, é desaconselhado pelas orientações litúrgicas, sobretudo no que se refere à ornamentação do altar. A Igreja Católica, através do Missal Romano, capítulo V, prefere o uso de flores e plantas vivas, simbolizando a vida, o dom de Deus, a beleza efémera e a renovação, elementos que se conectam com a fé e a liturgia. Considera-se que as flores artificiais, por serem imitações, podem transmitir uma sensação de falsidade e falta de autenticidade, o que não condiz com a atmosfera de reverência e verdade que se busca na Igreja.
Se a razão para o uso de flores e plantas artificiais for o custo ou a disponibilidade, pode-se optar por flores naturais de menor custo ou plantas que durem mais tempo.)
3. Silêncio e acústica – Espaço sonoro de oração
Cuidar da acústica para que a música litúrgica se eleve com
clareza, e o silêncio seja respeitado como parte da liturgia. Reduzir ruídos
externos, reverberações excessivas e permitir momentos de recolhimento antes e
depois da missa.
4. Iconografia e símbolos sagrados com beleza
Escolher imagens, ícones e crucifixos de bom gosto, com arte
que inspire oração e não distração. Preferir peças que favoreçam a contemplação
e a tradição cristã, evitando o excesso de elementos visuais.
5. Cores litúrgicas visíveis e bem aplicadas
Usar as cores litúrgicas (branco, roxo, verde, vermelho,
rosa, negro, azul onde for permitido) de modo harmonioso em paramentos,
toalhas, flores, velas e elementos decorativos, criando uma “respiração
estética” do tempo litúrgico.
6. Bancos e cadeiras confortáveis e dignos
Garantir que os assentos sejam confortáveis, mas reverentes
— nem austeros demais, nem sofás de sala. Usar madeira natural, almofadas
discretas ou tecidos litúrgicos. Ter espaços acessíveis para idosos, grávidas e
pessoas com mobilidade reduzida.
7. Espaço para oração pessoal e recolhimento
Criar pequenos cantos de oração ou capela lateral com bancos
baixos, ícones, velas, flores ou caixas de intenções. Ideal para quem deseja
rezar fora dos horários da missa. Pode incluir música ambiente suave com canto
gregoriano ou instrumental sacro.
8. Aromas litúrgicos e naturais
O uso moderado de um bom incenso nas celebrações, ou mesmo
óleos essenciais discretos em locais específicos (entrada, sacristia, capela
lateral), ajuda a criar uma memória sensorial do sagrado. Preferir aromas
naturais e suaves.
9. Entrada acolhedora e simbólica
A entrada da igreja deve já “introduzir ao sagrado”: uma pia
de água benta bela, um crucifixo visível, uma imagem mariana acolhedora ou uma
frase bíblica na porta. O exterior deve ser limpo, florido, com bancos ou
sombra.
10. Harmonia entre tradição e beleza contemporânea
Investir em arquitetura e arte que combinem o sentido
tradicional do espaço litúrgico (altar central, orientação ao Oriente, cruz
visível, sacrário digno) com linhas limpas, materiais nobres e detalhes que
elevem o espírito.
Sérgio Carvalho,
teólogo, especialista em assuntos religiosos, professor, jornalista e animador pastoral,
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