Políticos a caçar jovens

Tenho defendido isto: chegou a hora de inverter os papéis. Que não sejam os políticos a fazer campanha, para se fazerem ouvir, mas que eles estejam na plateia a ouvir o que o povo tem a dizer-lhes. (Fernando Félix Ferreira)

Escreveu Miguel Abreu, empreendedor e criador de conteúdos digitais, na sua página de Facebook: «A Europa vive uma crescente polarização entre os jovens e os partidos já perceberam que a juventude é o atalho mais rápido para crescer. A maioria dos jovens não tem maturidade política sólida, procura identidade e reconhecimento, e está mergulhada em redes sociais que amplificam discursos fáceis e emocionais. É por isso que vemos cada vez mais jovens a alinhar-se com posições radicais, estudos realizados confirmam uma divisão clara entre géneros: raparigas tendem a inclinar-se para a esquerda, rapazes para a direita. Espanha é o caso mais evidente, mas Portugal não está imune.

O marketing político que se dirige aos jovens não apela à reflexão: apela à emoção. Promete pertença, oferece slogans, cria inimigos comuns e vende soluções imediatas para problemas complexos. Os partidos sabem que o eleitorado sénior é mais difícil de conquistar e que a juventude é terreno fértil pelas características que a caracterizam. Não admira que os extremos invistam pesadamente em anúncios online, conseguindo, segundo estudos europeus, quase o dobro do alcance proporcional ao gasto. Há uma estratégia clara de comunicação que não procura apenas informar, mas seduzir, dividir e fidelizar jovens através de narrativas fáceis de absorver.

Mas há um preço. O marketing político que caça jovens não forma cidadãos, mas molda seguidores que trocam convicções por emoções momentâneas. A sua fidelidade é volátil e alimentada apenas pela novidade. E seguidores não sustentam democracias, apenas alimentam radicalismos. Se queremos uma juventude preparada para sustentar a democracia, precisamos de mais educação cívica, pensamento crítico e diálogo intergeracional. Caso contrário, corremos o risco de transformar a política num jogo de caça ao voto jovem, um jogo demasiado perigoso, onde a democracia pode sair derrotada. E só daremos conta quando acordarmos para um país onde o voto já não é escolha livre e consciente, mas apenas reflexo da última campanha viral.»

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