Conto missionário de outubro: «Qual é o aspeto de Deus?»

O mês de outubro é dedicado às missões. Os missionários vão para sítios onde é necessária a presença de Deus, onde o seu rosto ainda não é conhecido. Mas, afinal, qual é o aspeto de Deus?
 
A catequista Matilde decide que, hoje, ela e o seu grupinho de jovens vão comentar um episódio evangélico baseado na vida. Isto é, em vez de escolherem um determinado trecho da Sagrada Escritura, a catequista lança o repto de “lerem” uma história real que ilustre a pergunta: Como é Deus, que aparência tem?

E principia a narrativa:
– Havia um menino que queria encontrar-se com Deus. Acalentava esse desejo profundo, todavia, não sabia a forma de o conseguir. Um dia, saiu para ir brincar no parque e levou na mochila um farto lanche, com biscoitos caseiros e sumo. Quase a chegar lá, o rapaz deparou-se com um velhinho, sentado num banco daquele esplêndido jardim, a observar os pássaros que por ali andavam a esvoaçar e a chilrear. O miúdo resolveu sentar-se ao lado dele. Abriu a mochila para tirar um pouco de sumo e, parecendo-lhe que o homem estaria com fome, ofereceu-lhe dos maravilhosos biscoitos da sua avó.

O grupo seguia a história atentamente. A catequista prosseguiu:

– O velhinho, muito agradecido, tirou um e sorriu ao petiz. O seu sorriso era tão fantástico que o pequeno quis vê-lo novamente. Para tal, ofereceu-lhe sumo. E o idoso lhe sorriu-lhe outra vez, o que alegrou imensamente a criança. De tal maneira estavam a sentir-se bem que ali ficaram o resto da tarde, a comer biscoitos, a beber sumo… e a sorrir. Não trocaram uma palavra. A única comunicação processada entre eles era a não verbal, que – como sabemos – pode ser bastante mais profunda do que a transmissão por palavras.

O grupo anuiu acenando com a cabeça e sorrindo…

– Quando começou a anoitecer – continuou Matilde –, o garoto, cansado, decidiu regressar a casa; contudo, antes de ir, virou-se e deu um abraço bem apertadinho ao seu companheiro. Nesse momento, o ancião esboçou o maior sorriso que o miúdo já tinha recebido.

O grupo ficou a refletir, pensando que a catequista ia perguntar-lhes alguma coisa. Mas a história ainda não tinha acabado.

– Ao chegar a casa, a mãe notou, de imediato, a felicidade pura estampada no rosto do filho e perguntou: “O que andaste a fazer que te deixou assim tão feliz?” Ele respondeu: “Passei a tarde com Deus.” E acrescentou: “Mãe, sabias que Ele tem o sorriso mais bonito do mundo?”

O grupo estava encantado com a resposta do miúdo. Mas a Matilde ainda tinha mais uma coisa para dizer:

– Por seu lado, o velhote também cruzou a porta do seu lar ostentando um semblante tão luminoso e sorridente que o filho indagou: “Onde esteve, pai, que vem tão contente?” Ele revidou: “Estive a comer biscoitos e a beber sumo com Deus, no jardim do parque.” E acrescentou: “Sabes que Ele é muito mais novo do que eu pensava?”
 
O rosto de Deus encontra-se em todas as pessoas e realidades vistas com os olhos do coração.

Maria José Mendonça, em revista AUDÁCIA

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