«Sempre me impressionou a história daquele homem que, tendo vivido rodeado de cristãos, um dia, quando se converteu chorou de alegria pela maravilha da Fé, e de tristeza porque os cristãos seus vizinhos nunca lhe tinham mostrado quão belo é acreditar em Deus.
Talvez sofressem um pouco da “ingratidão” dos nove leprosos do Evangelho de Lucas (capítulo 17): dez homens que sofriam de lepra vão ter com Jesus. Impl'Oram-Lhe misericórdia. Jesus diz-lhes para se apresentarem aos sacerdotes, conforme a lei. Enquanto seguiam o mandamento, todos foram purificados, mas apenas um deles, um samaritano, voltou para agradecer a Jesus, que o declarou salvo em virtude da sua fé, e sublinhando a importância da gratidão e uma fé mais profunda do que a vontade de cura física.
Tem sido espantosa a vitória da medicina sobre a lepra. Saber que é possível salvar um leproso com cuidados médicos e higiénicos atempados, alegra-nos.
Quanto à outra lepra, aquela que contagia os corações para a indiferença, a intolerância, a ingratidão, sendo mais difícil a sua cura, também há remédio: viver de coração aberto. Aberto ao novo, à diferença, à pluralidade, aos “samaritanos”! Essas pessoas inesperadas em que os gestos autênticos de fé e caridade interpelam a rotina e o vazio de tantos gestos religiosos.
A cura começa a notar-se pelo agradecer. Quem sabe agradecer, e não apenas retribuir (como poderia retribuir ao próprio Deus quanto Ele me dá?) multiplica a alegria: é a sua e a que gera no outro!
Mas até a gratidão parece gasta. Como se ela fosse um “pagar” o que se recebeu!
E há quem viva a medir favores dados e recebidos numa contabilidade asfixiante da gratidão.
Também a Eucaristia sofre, por vezes, deste utilitarismo! É a “missa pelo meu familiar que eu já paguei”, é a “missa daquele padre simpático que fala tão bem”...,
O que fazemos da verdadeira ação de graças que a Eucaristia é?
Como no unimos à acção de graças universal, que Cristo toma em Suas mãos e oferece ao Pai? Como nos oferecemos nós, se procuramos mais receber?
Quem vive agradecido tem um olhar novo sobre a vida:
Quem vive agradecido sabe de onde lhe vêm os dons e as surpresas.
Quem vive agradecido é capaz de voltar atrás para louvar a Deus.
Quem vive agradecido tem um rosto e uns olhos que parecem iluminados porque é capaz de ver luz onde outros só vêem escuridão.
Quem vive agradecido libertou-se da “bactéria” da ingratidão!»
Em Guião Missionário 2025-2026, Obras Missionárias pontifícias
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