O Papa Francisco, em 2017, deu uma entrevista à revista dominical Viva, do jornal argentino Clarín em que, de forma muito informal, dá alguns conselhos sobre como ser feliz. Eis como esse jornal sintetizou esses conselhos em dez “dicas”:
1 – Vive e deixa viver
“Os habitantes de Roma têm um ditado e podemos partir dele para explicar a fórmula que diz: ‘Vai em frente e deixe as pessoas irem também em frente’. Vive e deixa viver é o primeiro passo da paz e felicidade.”
2 – Dar-se aos outros
As pessoas precisam de abbrir-se às demais, ser generosas, pois, “se alguém estagna, corre o risco de ser egoísta. E água estagnada é a primeira a apodrecer.”
3 – Move-te descansadamente
“No [romance] ‘Don Segundo Sombra’, do argentino Ricardo Güiraldes, há uma coisa muito bonita, de alguém que reinterpreta a sua vida. O protagonista diz que, em jovem, era um riacho que corria entre rochas e levava tudo à frente; em adulto, era um rio que andava para a frente e que, na velhice, se sentia em movimento, mas lentamente, descansadamente. Eu utilizaria esta imagem do poeta e romancista Ricardo Guiraldes, o último adjetivo: descansadamente. É a capacidade de se mover, de viver, com benevolência e humildade, o remanso da vida. Os anciãos têm essa sabedoria, são a memória de um povo. E um povo que não cuida dos seus anciãos não tem futuro.”
4 – Brincar com as crianças
“O consumismo levou-nos à ansiedade de perder a saudável cultura do ócio, de apreciar a leitura, de desfrutar a arte. Agora faço poucas confissões, mas em Buenos Aires fazia muitas e, quando via uma mãe jovem, perguntava-lhe: quantos filhos tens? Brincas com os teus filhos? E era uma pergunta com que não contavam, mas eu dizia-lhes que brincar com as crianças é fundamental, é sinal de uma cultura saudável. É difícil: os pais vão para o trabalho muito cedo e voltam às vezes quando os filhos já estão a dormir. É difícil, mas há que fazê-lo.”
5 – Partilhar os domingos com a família
“Fui a uma reunião sobre o mundo da Universidade e mundo do trabalho, e todos reivindicavam que o domingo não era dia de trabalho. O domingo é para a família.”
6 – Ajudar os jovens a conseguir um emprego
“Temos de ser criativos com este segmento da população. Se não têm oportunidades, são atraídos pela droga. É também muito alto o índice de suicídios entre os jovens desempregados. No outro dia li algures, mas não garanto porque não é um dado científico, que haverá 75 milhões de jovens com menos de 25 anos que estão desocupados. Não chega dar-lhes de comer, há que criar cursos de um ano de canalizador, de eletricista, de costureiro. A dignidade vem de podermos levar o pão para casa.”
7 – Cuidar da Natureza
”Há que cuidar da criação e não estamos a fazê-lo. É um dos maiores desafios que temos pela frente.”
8 – Esquecer depressa o que é negativo
“A necessidade de falar mal de alguém é sinal de uma baixo amor-próprio. É como se disséssemos: ‘sinto-me tão em baixo que, em vez de tentar recuperar, rebaixo o meu próximo’. Esquecer-se depressa do que é negativo é muito mais saudável.”
9 – Respeitar quem pensa de forma diferente
“Podemos desinquietar o outro com o nosso testemunho para que ambos possamos evoluir com esse diálogo, mas o pior que podemos fazer é o proselitismo religioso, pois ele paralisa: ‘Eu dialogo contigo para te convencer’. Isso não. Cada um dialoga a partir da sua identidade. A Igreja cresce pela sua capacidade de atração, não por proselitismo.”
10 – Procurar ativamente a paz
“Estamos a viver uma época com muitas guerras. Em África parecem guerras tribais, mas são mais do que isso. A guerra destrói. E temos de gritar bem alto o clamor pela paz. A paz, às vezes, dá a ideia de quietude, mas nunca é quietude, é sempre uma paz ativa.”
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