Para ler, refletir e agir: «Jesus repartia o pão — e nós multiplicamos as missas. Ele juntava as pessoas — e nós contamos bancos vazios» (Padre António Martins)
Às vezes penso que Jesus anda a olhar cá para baixo e a
coçar a cabeça, a perguntar: «Mas, afinal, onde é que deixei o pão?»
Porque Ele repartia o pão — e nós multiplicamos as missas.
Ele juntava as pessoas — e nós contamos bancos vazios.
Ele fazia da mesa um lugar de encontro — e nós transformámos
a celebração num horário fixo entre o café e o almoço.
O problema não é faltar fé, é faltar fermento: o da alegria,
da escuta, da solidariedade.
A Igreja não se parte porque o mundo a ataca, mas porque às
vezes por dentro fica oca, como pão que esqueceu de levedar.
Repetimos palavras santas, mas esquecemo-nos de as viver.
E o Evangelho, quando não é vivido, vira eco — bonito, mas
distante.
Talvez seja hora de voltar ao começo:
à mesa de Jesus, onde ninguém era estranho,
onde o pão sabia a partilha,
e a fé tinha sabor a amizade.
Porque o que salva não é a quantidade de missas,
mas a intensidade da comunhão.
Não é o ritual, mas o coração.
E talvez o primeiro milagre de hoje seja simples:
reaprender a repartir — o pão, o tempo, a atenção, a vida...
Presbítero António Carlos dos Santos Martins, da diocese da
Guarda
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