quando o pobre grita e o poderoso mente.
O teu silêncio será cúmplice,
A tua palavra é urgente. Não te tranques entre muros
nem perfumes os teus altares com incenso cobarde,
sai para a rua onde a cruz
tem rosto e fome.
Igreja, não te cales,
que o Evangelho é fogo, não enfeite.
É justiça no caminho,
é amor que incomoda os poderosos.
Fala, Igreja, com voz profética,
quebra os teus medos e as tuas correntes.
Porque calar diante da injustiça
é crucificar de novo o que liberta.
Igreja, não te cales,
que o Reino não é construído nos templos
mas nas ruas onde o povo sangra.
O teu silêncio é aliança com o verdugo,
a tua palavra pode ser o martelo da justiça.
Não abençoes as armas nem os pactos de poder,
bendiz as mãos que semeiam o pão,
os corpos que marcham cansados
buscando uma terra sem amos.
Igreja, não te cales,
porque Cristo não morreu para que adoremos a sua cruz,
mas para que desçam os crucificados.
A tua missão não é cuidar da ordem,
mas anunciar a insurreição do amor.
Levanta a tua voz contra o mercado,
contra os deuses da ganância,
contra tronos que se alimentam de ossos.
Igreja, sê povo, não instituição;
sê profecia, não burocracia;
sê evangelho em carne viva,
não liturgia vazia.
Igreja, não te cales,
porque o Espírito sopra onde há luta,
e o silêncio dos justos
é o
túmulo dos pobres.
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