Há quem diga que é preciso ter coragem para enfrentar os
desafios da vida. É verdade. Mas às vezes, a verdadeira coragem é… ficar
calado. Sim, calado. Porque contar os nossos problemas aos outros pode ser como
lançar confetes ao vento: faz barulho, suja tudo e, no fim, ninguém quer
varrer.
Pedem-se heróis com determinação — mas daqueles discretos,
que vão à luta sem anúncios, sem conferências de imprensa e sem publicar nas
redes sociais: “A sofrer, mas com estilo.”
Porque, sejamos sinceros:
• 90% das pessoas não
quer saber dos teus problemas.
• Os outros 10%… até
ficam contentes por saber que não são os únicos a ter uma vida complicada.
Portanto, aquela esperança de apoio moral, palavras de
conforto ou um ombro amigo… é bonita, mas raramente aparece. E quando aparece,
às vezes é só para ver mais de perto o desastre.
É duro? É. Mas liberta.
Porque, no fim, percebes:
• Ficas mais leve
quando paras de esperar compreensão de quem não te pode (ou não quer)
compreender.
• Ganhas força quando
o teu coração é discreto e a tua alma é silenciosa.
• E, sobretudo,
descobres que Deus ouve tudo aquilo que os outros não têm paciência para
escutar.
Segue com coragem, caminha com determinação… e não faças dos
teus problemas um festival público.
Guarda para ti, guarda para Deus — Ele é dos poucos que não
está nos 90%, nem nos 10%. Está nos 100% que se importam.
Presbítero António Martins, da diocese da Guarda, em Facebook
2 - «Inscrevi-me na Universidade do Amor»
Saí de casa sem destino certo, apenas com a vontade de
respirar a cidade. O frio da manhã misturava-se com o rumor das ruas, e eu
deixei-me ir. Comprei o jornal, entrei num café e pedi a minha bica do costume
— esse pequeno ritual que, por instantes, me ancora à vida. Folheei as páginas,
uma após outra, mas nenhuma palavra me tocava. As notícias falavam de dor, de
guerra, de gente perdida… e, no entanto, tudo me parecia distante, como se o
sofrimento alheio fosse apenas tinta num papel.
Foi então que me atravessou um pensamento cortante, quase
como um espelho a partir-se por dentro: estava a tornar-me num monstro — alguém
que olha e não vê, que lê e não sente, que passa ao lado da dor sem se deter. E
nesse instante percebi que a pior morte não é a do corpo, mas a do coração
quando deixa de se comover.
Naquele momento quis gritar. Quis dizer a todos que tinha descoberto o que me estava a faltar:
compaixão. Quis dizer-lhes que a indiferença é o pior veneno da alma, e que
quem deixa de amar torna-se mais pobre que o cão do rico avarento, que ao menos
lambia as chagas do pobre Lázaro.
Ali assinei, dentro de mim, a matrícula na Universidade do
Amor.
A joia de entrada? Descobrir que sou capaz de amar.
A duração do curso? A vida inteira.
As aulas? Dadas pelo Mestre, que nunca perdeu nenhum jogo —
mesmo quando o mundo pensou que Ele tinha sido derrotado.
Desde então, tento aprender. Tento amar com mais
consciência, com mais verdade, com menos medo. Tento sentir a dor do outro sem
fugir dela. Tento olhar para cada pessoa como um espelho de mim mesmo.
Porque a vida é feita de muitos jogos, e só vence quem joga
com o coração aberto.
E no final, não seremos avaliados pelo que acumulámos, mas
pelo quanto amámos.
Hoje, convido-te também: matricula-te outra vez na
Universidade do Amor. Ainda há lugar. E o Professor espera-te, pacientemente,
há muito tempo.
Pesbítero João Torres, da diocese de Braga, em Facebook
3 - A Bondade que permanece
Conta uma lenda que um homem subiu as grandes montanhas da
Europa em busca de um sábio que vivia nas cavernas. Ao encontrá-lo, perguntou-lhe: «O que é a bondade?»
O sábio respondeu com uma
história:
«Quando era criança, o meu avô contou-me a história de um homem que
vivia numa vila costeira. Todas as manhãs, sem falta, recolhia com as suas
pequenas mãos as conchas partidas da praia. Ninguém entendia porque o fazia.
“São lixo”, diziam. Mas ele insistia em limpá-las e devolvê-las ao mar. “O mar
também merece beleza”, respondia.
Passaram os anos, e aquele homem morreu sem que muitos
notassem a sua ausência. Mas algum tempo depois, quando uma tempestade arrasou
a vila, foi aquela mesma zona — a que ele cuidou durante décadas — a única que
resistiu. As conchas, endurecidas pelo sol e pelo sal, tinham-se tornado parte
de uma barreira natural que protegeu a costa.»
Ser bom assemelha-se muito a isso. Ninguém o aplaude. Parece
tolo. Parece inútil. Mas, no final, é o único que deixa alicerces invisíveis
onde tudo o resto se desmorona. Ser bom custa. Ridicularizam-te, usam-te,
subestimam-te. Mas também te liberta. Porque a bondade é o único valor que não
depende dos outros: nasce em ti e eleva-te. Num mundo de máscaras, ser bom é
voltar a ser humano.
Talvez nunca apareças numa manchete. Talvez ninguém repare.
Mas cada ato de bondade que fazes, cada verdade que sustentas, cada compaixão
que ofereces, constrói uma barreira contra o desespero.»
Nota: As conchas marinhas desempenham um papel importante na
proteção costeira, ajudando a estabilizar a areia, formando barreiras naturais
contra o impacto das ondas e evitando a erosão das praias. Essa proteção
natural torna-se vital para preservar o equilíbrio dos ecossistemas costeiros e
para proteger as zonas habitadas próximas do mar.
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