Vinte motivos para ser padre

Testemunho do presbítero António Martins (na foto e ilustração, do próprio), da diocese da Guarda, nos vinte anos de ordenação sacerdotal ministerial (23 de outubro de 2025)

1. Porque Deus continua a confiar em mim mais do que eu confio em mim próprio. Essa confiança silenciosa basta para permanecer.

2. Porque o Povo de Deus precisa menos de discursos perfeitos e mais de presenças verdadeiras. E essa presença, frágil mas real, procuro dá-la todos os dias.

3. Porque ainda me comove um simples “obrigado, senhor padre”, dito com o coração e não por conveniência.

4. Porque nas aldeias, nas serras e nos vales encontrei mestres de fé, que me ensinaram mais com a vida do que muitos livros de Teologia.

5. Porque aprendi que ser padre não é ser herói, é ser fiel. E essa fidelidade vale mais do que aplausos ou cargos.

6. Porque cada Eucaristia me recentra no essencial: é ali que recordo porque vim e porque fico.

7. Porque acredito que Deus faz obra grande com o pouco que sou e o pouco que faço.

8. Porque esta Diocese da Guarda é dura de clima, mas generosa de coração. E é aqui que Deus me plantou.

9. Porque já vi lágrimas transformarem-se em esperança com um simples gesto de bênção.

10. Porque a curiosidade, a crítica ou o comentário deixaram de ser peso: agora respiro fundo … e sigo.

11. Porque, no meio das vozes que julgam, sei que há alguém que reza por mim em silêncio. E essa oração sustenta-me.

12. Porque ser padre não é ter carreira, é caminhar. E nos caminhos do Fundão, de Seia e da Guarda, Deus sempre me esperou primeiro.

13. Porque ainda sinto alegria ao anunciar o Evangelho, mesmo quando poucos escutam ou muitos se distraem.

14. Porque descobri que servir não me diminui — faz-me mais de Deus.

15. Porque, apesar das pequenas mentalidades e das costas usadas como escadas, existem gestos escondidos de bondade que só Deus vê e regista.

16. Porque continuo a sonhar com uma Igreja que é primeiro Casa que acolhe, antes de ser sala de julgamento.

17. Porque, ao abençoar uma criança, acordo para a esperança no futuro; ao confortar um idoso, toco a eternidade.

18. Porque no frio da serra e no silêncio das aldeias, Deus passa — e eu, apesar das distrações, ainda reconheço a sua voz.

19. Porque isto já não é obrigação — é uma história de amor teimoso por Cristo e pela sua Igreja.

20. Porque, se Deus ainda não desistiu de mim, também eu não desistirei d’Ele nem da Igreja, aqui, nesta terra que me confiou. 

Comentários

Enviar um comentário