O Papa Leão XIV proclamou São João Henrique Newman Doutor da Igreja no dia 1 de novembro de 2025. É o 38.º santo com este título.
Neste texto, vamos considerar quais os critérios utilizados para tomar esta decisão, se um leigo pode ser nomeado Doutor da Igreja e que tipo de escritos os Doutores da Igreja devem ter produzido para receber este título.
Em primeiro lugar, a palavra «doutor», neste sentido, não se refere à pessoa que trata doenças do corpo; nem a alguém que cura as doenças da Igreja Católica. A palavra vem do verbo latino «docere», que significa «ensinar», e, portanto, um «doutor» em latim é um professor. Este significado é preservado no mundo académico, onde o grau mais alto concedido é o doutorado.
Para que alguém receba o título de Doutor da Igreja, há três requisitos
O primeiro é que a pessoa deve ser eminente na doutrina cristã e, naturalmente, os seus escritos devem ser fiéis aos ensinamentos da Igreja. Se, como Newman, ela tiver sido não católica por um tempo e tiver escrito algo que não fosse ortodoxo, esses escritos seriam ignorados em favor dos seus escritos como católica.
Por sua vez, escritores eclesiásticos que abraçaram certas heresias da sua época, como Orígenes e Tertuliano, não podem ser Doutores da Igreja, mesmo que os seus outros escritos sejam frequentemente citados.
Embora os escritos de um Doutor da Igreja devam ser eminentes, importantes para a Igreja, não é necessário que sejam numerosos. Por exemplo, enquanto Santo Agostinho e São Tomás de Aquino deixaram escritos abundantes, outros como Santa Catarina de Sena e Santa Teresa de Lisieux escreveram relativamente pouco.
O segundo requisito é que os próprios doutores devem ter um alto grau de santidade e ser santos canonizados. Assim, um teólogo eminente como o cardeal Joseph Ratzinger — Papa Bento XVI — não poderia ser nomeado doutor da Igreja, a menos que fosse primeiro canonizado.
E, em terceiro lugar, deve ser o papa quem nomeia alguém doutor da Igreja. O primeiro a fazê-lo foi o Papa Bonifácio VIII, que em 1298 proclamou doutores os quatro grandes Padres da Igreja Ocidental: São Ambrósio, Santo Agostinho, São Jerónimo e São Gregório Magno.
A esses quatro correspondiam outros quatro grandes Padres Orientais do mesmo período: São João Crisóstomo, São Basílio Magno, São Gregório de Nazianzo e Santo Atanásio. Embora fossem considerados doutores desde cedo, foi o Papa Pio V que os reconheceu oficialmente como tal em 1568. O Papa Pio V também declarou o seu companheiro dominicano São Tomás de Aquino doutor, e o Papa Sisto V acrescentou São Boaventura em 1588.
O número de doutores permaneceu em dez até o século XVIII, quando aumentou gradualmente até os nossos dias. Atualmente, contando com São João Henrique Newman, há 38 Doutores da Igreja. Quatro são mulheres: Santa Teresa de Ávila, Santa Catarina de Sena, Santa Teresa de Lisieux e Santa Hildegarda de Bingen.
Ver lista completa neste link: Os Doutores da Igreja Católica
Um leigo pode ser Doutor da Igreja?
Quanto à possibilidade de um leigo ser nomeado doutor da Igreja, Santa Catarina de Sena era uma leiga, membro do que mais tarde se tornaria a Ordem Terceira de São Domingos.
Os Doutores da Igreja declarados mais recentemente
Os santos mais recentemente declarados doutores foram Santa Teresa de Lisieux, por São João Paulo II, em 1997, São João de Ávila e Santa Hildegarda de Bingen, pelo Papa Bento XVI, em 2012, São Gregório de Narek e Santo Irineu de Lyon, pelo Papa Francisco, em 2022, e São João Henrique Newman pelo Papa Leão XIV em 2025, na festa de Todos os Santos.
Santos recomendados para a nomeação de Doutores da Igreja
Nos últimos tempos, várias recomendações foram feitas para que fossem nomeados doutores da Igreja.
Uma recomendação óbvia é São João Paulo II. Em outubro de 2019, a conferência episcopal polaca solicitou formalmente ao Papa Francisco que considerasse nomeá-lo Doutor da Igreja em reconhecimento das suas contribuições para a teologia, filosofia e literatura católica, bem como aos numerosos documentos formais do seu papado.
Outra recomendação é Santa Teresa Benedita da Cruz, uma carmelita descalça, nascida Edith Stein (1891-1942). Ela estudou filosofia com o fenomenologista Edmund Husserl e escreveu vários livros sobre filosofia, esforçando-se por combinar a fenomenologia com a filosofia de São Tomás de Aquino. Foi assassinada na câmara de gás do campo de concentração de Auschwitz II-Birkenau em 9 de agosto de 1942. Ela vinha de uma família judia alemã e converteu-se ao catolicismo em 1922. Em abril de 2024, durante uma audiência privada, o superior geral dos Carmelitas Descalços, padre Miguel Márquez Calle, fez um pedido formal ao Papa Francisco para declará-la Doutora da Igreja.
Presbítero John Flader, em The Catholic Weekly
nascido nos Estados Unidos, vive na Austrália desde 1968.
Ex-diretor do Centro Católico de Educação de Adultos em Sydney,
escreve “Question Time” para o The Catholic Weekly, meio de comunicação da Arquidiocese de Sydney, desde 2005.
É distribuído por meio de uma parceria com a OSV News
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