O Natal deixa-nos com um presente nas mãos: confia-nos um
verbo para todos os dias do ano. E esse verbo é nascer. Um acontecimento que
normalmente colocamos no princípio da vida e do qual pensamos que ocorre uma
única vez. Ora, o Natal entrega-nos o verbo nascer como um programa de vida, um
mapa sempre em aberto, sempre a ser refeito. O menino que o Natal celebra diz a
cada um: «Agora nasce tu.» (Cardeal D. José Tolentino Mendonça)
O Advento é uma escola de saudade e de esperança
De saudade, porque nos remete para um tempo (real ou idealizado) de harmonia -
entre Deus e a Humanidade, nas nossas infâncias, naquilo que gostaríamos que o
Natal fosse e nem sempre é.
Mas também de esperança, porque sabemos que é uma
oportunidade para dedicarmos mais tempo à nossa oração, à nossa relação com
Deus, com a mensagem de amor e alegria de Jesus, para nos pormos no lugar de
Maria, dizermos que sim e sermos, como ela, aqueles que acolhem Jesus no seu
íntimo e o levam ao mundo. Sermos a esperança, sermos – também nós, também eu –
uma ponte entre o Céu e a Terra, entre Deus e a parte da Humanidade que está ao
nosso alcance.
«Eu, Senhor?» – podemos perguntar – «Eu, que sou tão frágil? Que nem
a minha vida consigo organizar para ter sempre um tempo de oração? Que estou
soterrado em trabalho e tarefas, que preciso de “despachar” até ao Natal? Que
nem sou capaz de fazer com que os meus familiares se deem todos bem? Que me
irrito com tanta facilidade? Que tenho tanta dificuldade de perdoar os outros
ou de me perdoar a mim próprio pelas minhas falhas? Que…»
«Sim, tu!» – dizes-nos Tu, Senhor, neste Advento.
Porque Jesus
também, como nós, nasceu indefeso. E num lugar improvável. Um menino pobre,
numa manjedoura, há dois mil anos. Não foi um grande chefe político, não foi um
guerreiro nobre, não foi um homem rico. E, no entanto, desta aparente pobreza e
fragilidade nasceu o Salvador, aquele cuja vida e mensagem nos ajudam a
compreender aquilo que Deus quer para o mundo, quer para nós.
Estes contrastes com que Deus nos quis presentear são aquilo
que nos faz ver melhor que é a fragilidade que nos pode fazer fortes, que
podemos ver potencia de vida onde ela aparentemente não parece estar, que a
saudade e a esperança são parte da nossa alegria interior e não forças em
conflito.
Jesus mostra-nos o potencial de “o verbo
nascer como um programa de vida, um mapa sempre em aberto, sempre a ser
refeito”, como nos diz o cardeal Tolentino.
Esta possibilidade, de nascer todos os dias, a partir do que
somos e da nossa realidade, é uma bênção muito grande, que não podemos deixar
de agradecer e aproveitar neste Advento: agora, nasce tu!
Propostas para viver o dia em oração
Podemos começar por meditar um pouco sobre a mensagem de
Deus que lemos em Isaías: um menino nasceu para nós. O que penso e sinto sobre
Jesus ter nascido para mim? Como vejo o contraste da Sua fragilidade com a Sua
força? Como o reconheço na minha vida, na minha história de fé?
Depois, podemos rezar a partir desta interpelação tão forte:
“Nasce tu!”. O que significam, hoje, para mim, estas palavras? De que forma
posso “nascer”, como programa de vida, neste Advento? Interiormente e com ações
concretas?
Boa oração e bom Advento!
Do Retiro de Advento 2025, da Família Missionária Verbum Dei
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