Jesus Cristo é o grande protetor, aquele que leva para casa a esposa solitária que somos nós na nossa fraqueza

No episódio do batismo de Jesus, João Batista diz: «Atrás de mim vem um homem, que adiante de mim surgiu, porque antes de mim existia.» O que isso significa? Refere-se ao que a teologia chama de pré-existência do Verbo, ou seja, que Jesus estava no Céu e depois desceu à Terra?

Poderemos ler também uma alusão à lei judaica do levirato, que estabelece um mecanismo de proteção para a mulher viúva e solitária? Neste sentido, Jesus é o grande protetor, aquele que leva para casa a esposa solitária que somos nós na nossa fraqueza. Jesus é batizado para nos proteger na nossa fraqueza.

Então, como viver uma fé cristã com uma mentalidade protetora? Como ver que, se não somos protegidos na nossa fraqueza, e se não protegemos os fracos, não podemos ser seguidores de Jesus?

Três caminhos possíveis:
Ouvir: porque a solidão ouvida é menos solidão e ouvir é uma forma privilegiada de amar. Que a nossa escuta seja atenta, «amorosa», como dizia o saudoso Papa Francisco.

Consolar: derramar tranquilidade sobre um coração perturbado, derramar paz. Não se trata do falso consolo das palavras vazias, mas do consolo pelo qual nos colocamos decididamente ao lado de quem sofre.

Cuidar: envolver-nos, porque ajudar sem se envolver é deixar as coisas vazias. Acreditarmos firmemente que as situações daqueles que sofrem também dizem respeito a nós.

A imprensa surpreende-nos, às vezes, com notícias que nos chocam, como a do idoso (de Valência, Espanha) que foi encontrado morto após quinze anos, ou da idosa encontrada morta há dois anos num bairro do Porto. Que abismo de solidão! Viver sozinho, morrer sozinho, estar sozinho ano após ano. Não só devemos comover-nos, mas também animar-nos a perceber as situações de solidão dos mais fracos e fazer algo para que essa solidão seja menos pesada. A luta contra a solidão é acompanhar como Jesus nos acompanha.

Temos uma bela tarefa
O Papa Leão XIV lançou um grito nos seus primeiros dias de pontificado: «Demasiadas discórdias, demasiadas feridas causadas pelo ódio, pelo medo, pelos preconceitos, pela indiferença para com os pobres e pela violência contra a terra. E, no entanto, queremos ser um fermento de fraternidade, de comunhão, de amparo». Temos uma bela tarefa. Ânimo para todos.

Fidel Aizpurúa Donazar, em Fé Adulta

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