Oito presentes que a Missão dá aos missionários - confirmados por Fernando Ferreira e Maria José, após missão em Angola
A Maria José Mendonça e o Fernando Ferreira (atual presidente da Fraternitas Movimento) vivemos 15 dias de missão em Angola, em que se destacam:
- A vida em comunidade com os Missionários do Espírito Santo. Foi ótimo sentir-nos, uma vez mais, em família.
- O trabalho com a Irmã Maria do Céu Costa, animadores e monitores bíblicos (que celebram a fé nas localidades sem presença do padre)
- Abraçar o trabalho do grupo MUKONDARTE, que junta fé e arte e salva crianças que passam muito tempo na rua (onde há muitos perigos), educando-as em língua, matemática, valores cívicos, ecologia e artes cénicas.
- A visita à Leprosaria da Funda - onde os doentes de lepra até têm acesso a medicamentos, mas falta tudo o resto: comida, uma ocupação, habitação com água e casa de banho... Na foto, o utente mais antigo, desde 1973, e uma das utentes mas recentes.
E confirmamos que a Missão oferece isto aos missionários:
«Os presentes da missão
O serviço missionário é uma tarefa e também um grande presente de Deus. O Senhor da Missão, que chama e envia, também abençoa cada missionário, leigo ou sacerdote, solteiro, consagrado ou casado.
A missão dá aos missionários uma família muito alargada. Jesus promete a quem deixar os afetos e as raízes por causa Dele uma recompensa cem vezes maior aqui e, depois, a vida eterna. Os missionários encontram uma rede de irmãos nos lugares onde estudam, nos povos e países com quem evangelizam. São pessoas que se tornam pais, irmãos e amigos.
A missão dá aos missionários um povo novo, com quem viver uma relação de amor mútuo – de algum modo, esponsal, aceitando as suas luzes e sombras. Os missionários aprendem a sua língua, as expressões da sua cultura, a sua culinária, as tradições.
A missão dá aos missionários novos modos de dizer «Deus». Nós os portugueses temos as nossas maneiras de dizer Deus, de rezar, de crer – que variam de Norte a Sul. Os povos do mundo também têm a sua maneira tradicional de invocar o Criador de Todas as Coisas. Nas orações próprias da cultura, invocam Deus como nosso pai e nossa mãe, nosso avô e nossa avó, nosso bisavô, aquele que nos deu à luz. A missão também é oração. Jesus iniciou as pessoas numa nova relação com Deus, chamando-lhe Abba, Paizinho. O missionário reza com a gente e ao seu jeito.
A missão dá aos missionários uma nova vivência do tempo. Aprendem que o tempo não se conta, mas faz-se através de encontros interpessoais e que a luminosidade ou a névoa são formas naturais de determinar as horas do dia. Se o dia estiver solarengo ou enevoado, as horas são percebidas de uma forma diferente.
A missão dá aos missionários uma mística do quotidiano. Na missão, o dia a dia pode transcorrer calmamente. Aprender a respeitar o tempo é também desacelerar o viver. Quando o serviço missionário é feito a pé ou em viagens demoradas de carro, mota ou bicicleta, cruzando a floresta, os rios, as aldeias, o missionário volta a tomar consciência do entorno: os pássaros e os seus chilreios felizes, os raios de sol a brincar com a neblina matinal por entre os ramos das árvores seculares, as flores e as ervas que pintam o verde do chão. Isso desperta os missionários para a oração.
A missão dá aos missionários uma identidade. A Igreja é missão. Jesus instituiu-a não para ser um clube isotérico de redimidos. Ele enviou-a aos confins do mundo, aos confins da vida para anunciar a Boa Nova do Reino de Justiça, Paz e Alegria já presente no meio de nós.
A missão dá aos missionários a matemática de Deus: para multiplicar é preciso dividir. A partilha é o caminho para a revitalização e renovação das Igrejas mais antigas. As paróquias mais antigas estão mirradas e precisam da energia celebrativa das comunidades jovens.
A missão dá aos missionários a hospitalidade. Proclamar Deus como o Pai comum é acolher a todos – mesmo os estranhos – como irmãos comuns. A hospitalidade mantém as comunidades acolhedoras e abertas às necessidades dos mais pobres e necessitados.
Padre José Vieira, missionário comboniano do Coração de Jesus»
Comentários
Enviar um comentário