Sócio da Fraternitas testemunha impressionado como os seus alunos russos e ucranianos convivem aqui em pacífica harmonia e numa mútua ajuda muito fraterna

Tenho dedicado uma parte do meu tempo de reformado a ajudar a aprendizagem da nossa língua a grupos de imigrantes e refugiados.
 Faço-o no Centro São Cirilo, uma importante instituição liderada pelos jesuítas, que tem realizado um notável trabalho de apoio à integração do que chegam ao nosso país em condições difíceis.

Esta gratificante atividade de voluntariado tem-me levado a conhecer pessoas de várias nacionalidades. Já tive alunos de múltiplas proveniências, desde a Ásia, África e Médio Oriente até às Américas e países de Leste: chineses, sírios, polacos, africanos, vários países da América Latina, canadianos.

Desde que começou a invasão da Ucrânia, os meus alunos têm sido predominantemente russos e ucranianos. Chegaram a Portugal, carregando alguns deles experiências muito traumatizantes. Uma das minhas alunas deixou de ver completamente a sua casa e os terrenos que possuía, depois de tudo ter sido arrastado por uma gigantesca inundação, quando uma barragem que acumulava a água ficou destruída por um bombardeamento russo. 

Uma outra teve de fugir da zona violenta em que vivia, indo para uma outra região da Ucrânia, mas esta começou também a ser frequentemente atacada. Diante do permanente risco de morte, acabou por vir para Portugal com os seus três filhos menores.

Houve russos que tiveram de deixar o seu país, porque aí é arriscado discordar da guerra.

Quase todos vieram para Portugal por causa da guerra e agora recomeçam aqui as suas vidas, a partir do zero.

Comove-me ver como, vindo de dois países a viver um conflito tão letal, uns e outros convivem aqui em pacífica harmonia e numa mútua ajuda muito fraterna.

Impressiona-me também a sua força vontade para vencer os difíceis desafios que aqui enfrentam. Fazem notáveis progressos no domínio da nossa língua, porque se dedicam a fundo na sua aprendizagem. 

Quase todos com cursos superiores, tiveram profissões altamente qualificadas (médicos, arquitetos, técnicos informáticos, decoradores e outras), mas dispõem-se agora a trabalhar no que lhes aparece, para conseguirem bastar-se a si próprios, empenhando-se, entretanto, a criar condições para virem a conseguir empregos ao nível das suas qualificações.

Como é bom sentir esta indómita vontade de construir uma nova vida, depois de terem conhecido de perto a guerra, com todos os seus horrores de destruição
.

O autor não assina o texto de propósito,
para garantir a segurança dos seus alunos

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