A partir da
experiência das mulheres, narrada nos Evangelhos, a ressurreição de Jesus não
pode ser reduzida a um acontecimento piedoso que se contempla à distância, nem
a um dogma que se repete sem consequências. Se for esvaziada da sua força
transformadora, corre o risco de se tornar uma celebração estéril, uma espécie
de refúgio espiritual que consola, mas não interpela. No entanto, o cerne da
experiência pascal aponta precisamente na direção contrária: é um apelo urgente
à ação, à transformação concreta das realidades injustas e desumanas que
atravessam a nossa sociedade.
A experiência do
Ressuscitado não se encontra no confinamento do meramente religioso, com todas
as derivações em que este pode vir a manifestar-se, mas no compromisso com a
vida daquilo que mais dói e daqueles que mais sofrem. É ali, no espaço onde se
misturam a fé e a história, que se reconhece a Sua presença. Porque não é o
templo nem o espaço, transformado em religioso por alguns momentos, que garante
o encontro com o Ressuscitado, mas a fidelidade ao Seu projeto de vida.
Por isso, a
ressurreição não pode ser apenas objeto de contemplação. Se Cristo vive, então
a sua vida deve transparecer naqueles que se dizem seus seguidores. O amor é
ação. E isso implica tomar partido perante as situações que desumanizam: a
pobreza que marginaliza, a desigualdade que destrói a dignidade, a violência
que destrói vidas, a indiferença que anestesia as consciências. Acreditar na
ressurreição e louvar o Ressuscitado deve manifestar-se na aposta pela vida ali
onde ela parece derrotada.
A fé pascal
impele-nos a sair de espaços confortáveis, seguros e de bem-estar sentimental
para entrar em contacto com as feridas do mundo próximo e distante. O que não
significa abandonar a dimensão espiritual, mas evitar que esta se transforme em
evasão. A verdadeira espiritualidade cristã é encarnada: traduz-se em gestos,
em decisões, em estruturas mais justas. É uma fé que incomoda porque não
permite permanecer neutro perante o sofrimento alheio.
Neste sentido, a
ressurreição é profundamente subversiva. Afirma que a morte, em todas as suas
formas, não tem a última palavra. E se não a tem, então toda a realidade da
morte pode e deve ser questionada. O cristão não é chamado a resignar-se, mas a
resistir e a transformar. A esperança pascal não é ingénua nem passiva; é
ativa, crítica, comprometida.
Reunir-se para cantar
e elevar orações de louvor é para regressar aos lugares onde a vida clama: as
margens sociais, os espaços de exclusão, as periferias existenciais. Ali, no
meio da fragilidade e da luta, é onde se torna visível o Ressuscitado. Não na
acumulação de ritos, muitas vezes vazios, mas na prática do amor que liberta.
Assim entendida, a
ressurreição deixa de ser uma recordação do passado para se tornar uma tarefa
presente, que não necessitará tanto de louvor como de compromisso. Não se trata
apenas de acreditar que Jesus vive, mas de tornar visível a sua vida no mundo.
E isso só é possível quando a fé se converte em compromisso real com a justiça,
a dignidade e a esperança de todos.
Juan Zapatero
Ballesteros, em Fé Adulta
Sim! A ressurreição é transformadora e subversiva. Mas o “PRINCÍPIO” é que a ressurreição de Jesus ilumina o sentido da vida humana: COM JESUS, VIVEMOS E VIVEREMOS: fomos criados para vivermos eternamente. a partir deste princípio tudo se torna transformador em ordem a vida eterna para a qual todo ser humano foi criado. Essa VIDA ETERNA COMEÇA JÁ AQUI! E vida eterna AMOR, FRATERNIDADE, JUSTIÇA E PAZ! A a ressurreição é transformadora do SENTIDO da nossa vida e dá SENTIDO a todas as nossas ações que têm como PRINCÍPIO E FIM JESUS RESSUSCITADO (ALFA E OMEGAda VIDA DE QUALQUER SER HUMANO e de TODA A HISTÓRIA HUMANA!
ResponderEliminar