Em primeiro lugar, é preciso abrir a vagem onde estão os amendoins.
Em segundo lugar, é preciso retirar a película à volta do amendoim.
Em terceiro lugar, pode-se então usufruir do fruto, comendo o amendoim.
Há um paralelo com o caminho de conversão na vida de um cristão.
Abrir a vagem = quebrar o ego
Para abrir a vagem onde estão contidos os amendoins é preciso algum esforço, é preciso partir com a força dos dedos a camada exterior, para colocar à disposição os amendoins.
Esta vagem pode ser comparada ao trabalho de renúncia contínua ao ego, ao desafio de deixar de viver centrados nas próprias vontades e submeter-se ao governo de Deus. Quando o ego assume o controlo, a pessoa fica tão obcecada com uma decisão, um evento, uma pressão social, uma ideologia ou qualquer outra coisa, que acaba confusa e sente-se sufocada, como se não tivesse escolha. Poderá, igualmente, ficar nervosa, ressentida e com medo, incapaz de ver a bondade, a abundância e amor como o mais profundo da sua vida. Apesar de saberem que são abençoadas por Deus e que têm muito para agradecer, as pessoas nessa situação não conseguem reconhecer isso. E os pecados, nomeadamente os graves, têm muito que ver com egocentrismo, arrogância, inflexibilidade.
A dureza do ego - tal como a vagem - tem de ser quebrada, para podermos ter acesso à vida cristã que queremos viver em comunhão com Cristo.
Retirar a película = limpar-se das fraquezas mais comuns
Depois vem a tal película que envolve os amendoins e se separa em vários bocados que, sendo mais fácil de limpar, agarra-se, no entanto, aos nossos dedos, fica como que colada e, muitas vezes, esses bocados da película tornam-se difíceis de retirar e são, digamos assim, mais numerosos que as vagens.
Há um processo para os limpar que torna tudo mais fácil, e que é esfregar os amendoins ainda com essa película entre as mãos, depois soprar, e o sopro faz voar para “longe” esses bocados de película.
Esta película e os seus “bocados” são as fraquezas mais comuns nas pessoas, em que se incluem também os pecados chamados leves, mas que é preciso afastar para poder ter “acesso” à vida completa em comunhão com Cristo.
E aquele sopro que afasta esses bocados, é o Espírito Santo a Quem nos entregamos para que nos dê forças e afaste de nós as nossas fraquezas diárias.
Comer o fruto = vida em abundância
Findo todo o processo de limpeza do exterior do amendoim, podemos então usufruir da riqueza desse fruto e de todo o seu sabor.
A conversão do cristão nunca está acabada, mas se for fiel ao “processo” de reconhecimento das suas faltas, dos seus erros, de tudo aquilo que tem de emendar no dia a dia, de se arrepender e confessar, atirando fora as “vagens e películas” da sua vida, então também terá “acesso” à «vida em abundância» (Evangelho de João 10, 10), prometida e alcançada para todos nós pela Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus Cristo Nosso Senhor.
Joaquim Mexia Alves, em Que é a Verdade, e Fernando Félix
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