O trigo e o joio, «deixai-os crescer ambos até à ceifa», diz Jesus Cristo. O que nos ensina Jesus sobre as nossas virtudes e os nossos defeitos com esta parábola

No Evangelho de Mateus 13, 24-43, Jesus conta três parábolas para falar do Reino dos Céus, do próprio Deus: o trigo e o joio, o grão de mostarda e o fermento na massa.

Jesus Cristo fala de realidades que não se veem. Quer falar-nos do Reino de Deus e do próprio Deus. Para isso, utiliza imagens da vida quotidiana, recorre a exemplos que sabe que aqueles que o estão a ouvir compreendem perfeitamente.

Nos dias em que Jesus viveu connosco na Terra, as pessoas simples que se aproximavam para O ouvir sabiam perfeitamente como era o trigo e como era o joio. Conheciam as sementes. Viam plantas de mostarda e sabiam, porque viam isso todos os dias, que um pouco de fermento é capaz de fazer crescer muita massa.

Para muitas de nós, todos estes exemplos parecem-nos distantes. Certamente mais do que uma nunca viu um campo de trigo e não sabe como é o joio. Também não conhecemos as plantas de mostarda e, como o pão não se faz em casa, talvez haja quem nunca tenha visto uma massa a levedar.

Se Jesus nos falasse hoje, teria de nos dar outros exemplos. Teria de nos falar da Internet, dos telemóveis táteis, da final do Mundial de 2026

Não sei que exemplo nos daria para nos fazer compreender que, por vezes, é necessário deixar crescer aquilo que não está bem. O joio é uma erva daninha, muito semelhante ao trigo, mas tóxica.

Na parábola, diz-nos para não arrancarmos o joio. Porquê? Porque poderíamos danificar o trigo.

As nossas vidas estão cheias de pequenas (ou grandes) sombras que gostaríamos de arrancar. Jesus diz-nos que não, que as deixemos crescer juntamente com as nossas luzes.

A nossa ânsia por ter uma imagem perfeita pode acabar com aquilo que tínhamos de bom e valioso.

Numa sociedade em que somos constantemente convidados a eliminar qualquer defeito, ruga, borbulha, cabelo branco… Jesus diz-nos: deixem-nos crescer.

Não sei se conseguiremos dar-lhe muita atenção. Será que nos atreveremos a deixar os nossos defeitos crescerem? Teremos paciência para esperar pelo momento certo para os arrancar?

Monjas Trinitárias, em Eclesalia

Santo Agostinho, comentando a parábola do trigo e do joio, observa:
«Muitos, primeiro são joio e depois tornam-se trigo bom»
e acrescenta:
«Se eles, quando são malvados, não fossem tolerados com paciência, não chegariam à mudança louvável» (Quaest. septend. in Ev. sec. Matth., 12, 4: pl 35, 1371), em Vatican News

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